O presidente da Câmara do Rio, Carlo Caiado (PSD), quebrou o silêncio nesta quinta-feira (12) e comentou a prisão do vereador Salvino Oliveira, também do PSD. A declaração veio após a tentativa de dois integrantes da bancada, Márcio Ribeiro e Flávio Valle, de derrubar a sessão em protesto pelo ocorrido.
Em seu discurso, Caiado pediu “equilíbrio” aos parlamentares e destacou que a Casa Legislativa sempre atuou com imparcialidade, firmeza, mediação e diálogo em momentos de crise.
“É um momento muito difícil para esta Casa Legislativa e para a nossa cidade. Em todos os momentos difíceis, esta Casa sempre teve imparcialidade, firmeza, muita mediação e diálogo. Falo também de garantir o direito de defesa a todos, inclusive de colegas que posteriormente tiveram comprovada — e espero que seja o caso agora — a injustiça que foi feita”, afirmou.

‘Pedi que a nossa política aqui seja da cintura para cima’
Em seguida, disse que tomou todas as atitudes cabíveis, acompanhando a defesa de Salvino e solicitando acesso ao processo por meio da Procuradoria-Geral da Câmara do Rio. Mesmo assim, enfatizou que, neste momento, o mais importante é manter o funcionamento das sessões legislativas.
“A melhor forma de manter a cabeça erguida neste Parlamento é fazer o melhor para o povo e manter as sessões. Ontem mesmo liguei para vários parlamentares, líderes de bancada, dizendo que deveria ter sessão e que deveriam ocorrer as falas. Pedi que a nossa política aqui seja da cintura para cima, tratando dos fatos ocorridos, para que possamos manter esse ritmo de trabalho”, completou.
Caiado critica operação da Polícia Civil

Apesar da postura, Caiado também criticou a operação que levou à prisão de Salvino, investigado por suposto apoio ao Comando Vermelho (CV). Segundo ele, é absurdo usar como argumento o fato de ele ter sido criado na Cidade de Deus e atuar como relator de uma comissão voltada às favelas.
“O inquérito dá a entender que o fato de o vereador Salvino Oliveira morar na favela, na Cidade de Deus, implicaria alguma coisa. E vai além: sugere que, por ele ser relator da comissão especial que trata das políticas públicas para as favelas, haveria indícios de envolvimento com o crime”, destacou.
‘Todos nós trabalhamos de forma incansável’
Por fim, afirmou que todos os vereadores entram em favelas para agendas ou campanhas políticas, o que não significa qualquer vínculo com organizações criminosas.
“Todos nós, vereadores, conhecemos e participamos desse trabalho de entrar nas comunidades, conversar com os moradores e lutar para levar benfeitorias. Agora eu pergunto: levar melhorias para uma comunidade significa fazer ou buscar parceria com facção, seja milícia ou tráfico de drogas? Claro que não”, finalizou.
Câmara do Rio se posiciona sobre o caso
Como a Comissão Especial de Políticas Públicas para as Favelas foi citada, a Casa Legislativa publicou uma nota sobre as investigações envolvendo Salvino. Eis o posicionamento na íntegra:
“Em função de a Comissão Especial de Políticas Públicas para as Favelas ter sido citada no inquérito que levou à prisão do vereador Salvino Oliveira como meio facilitador para relações criminosas, a Câmara Municipal do Rio esclarece:
É inaceitável qualquer tentativa de associar o debate sobre políticas voltadas às comunidades a indícios de atividade criminosa. Nascer ou morar em favela não pode ser tratado como sinal de irregularidade e, muito menos, crime.
Da mesma forma, participar de uma comissão parlamentar dedicada a discutir os desafios das comunidades é parte legítima do exercício do mandato e da representação de milhões de cariocas que vivem nesses territórios.
A Câmara do Rio reafirma a legitimidade da Comissão Especial e continuará cumprindo seu papel de dar voz às comunidades e defender políticas públicas que melhorem a vida de quem mora nas favelas do Rio.”
O que diz o vereador do PSD
Logo após a prisão, a defesa do parlamentar informou que repudia com veemência a acusação feita pela Polícia Civil. Eis a nota na íntegra:
“O vereador Salvino Oliveira repudia com veemência a acusação feita pela DGCOR da Polícia Civil, lamentando as truculentas e desnecessárias medidas tomadas em seu prejuízo, com base em narrativa evidentemente desprovida de provas, construída com propósito de macular a sua reputação com mentiras.
Salvino confia no Sistema de Justiça e provará a sua inocência no curso do processo, demonstrando à sociedade que o elegeu a verdade dos fatos, que confirmará, mais uma vez, a seriedade e a lisura do seu trabalho.”

