Em almoço com cerca de 200 empresários reunidos pelo grupo Lide no Hotel Fairmont, em Copacabana, nesta terça-feira (03), o prefeito Eduardo Paes (PSD) evitou as armadilhas da pré-campanha (“se eu falar que sou candidato e quero o voto de vocês, ferrou”). Mas aproveitou a oportunidade para criticar o atual governo e apresentar as premissas da pré-candidatura — gestão como norte, política como prática fundamental e a união de esforços para enfrentar os problemas do estado.
O prefeito disse que pensou, a caminho do evento, sobre o que deveria dizer em seu discurso: agradecer, fazer um balanço de suas passagens pela prefeitura…
“Será que eu falo com dureza daquilo que todos nós passamos e sentimos permanentemente nas agruras da gestão do nosso estado? O que acontece diariamente no nosso estado? A inépcia, a incapacidade de resolver os problemas, a quase omissão permanente?”, perguntou.
Paes voltou a informar que vai — “com alguma dor no coração” — renunciar ao cargo dentro de 17 dias. Sempre avisando que não eram propostas, listou o que acha essencial nos tempos atuais.
“O primeiro, e deve valer para todo governante, é esse permanente compromisso. A vida pública é uma atividade de sacerdócio, que exige dedicação, comprometimento, que não tem horário”, disse o prefeito.
Em seguida, uma provocação a uma plateia de empresários.
“O segundo aspecto muito importante é a gente entender que a atividade política não é igual à atividade privada. O Brasil deve perder essa mania de achar que nós precisamos de CEO. Isso é para a empresa de vocês. A atividade política tem as suas particularidades, as suas peculiaridades, e exige muito mais. Mas isso não quer dizer que governos não devam ser manejados e tocados com muita gestão.”, disse.
O prefeito conclamou “as boas elites”.
“Nós precisamos não admitir mais que certas coisas aconteçam no Estado do Rio de Janeiro. Não dá mais. Isso é papel das boas elites (…) Não é possível que nós, como elite política, como elite econômica, permitamos que determinado trecho do nosso território (seja tomado por criminosos). É nossa responsabilidade não aceitar que isso ocorra. Não olhar passivamente e, principalmente, não permitir que esse certo estado de anomia, em que nós começamos a achar tudo normal, os maiores absurdos que acontecem diante dos nossos olhos”, disse Paes.
Antes do discurso e do puxão de orelhas, o prefeito foi homenageado pelos empresários com placa e discursos.

