O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) deferiu, nesta quarta-feira (21), o registro de candidatura do deputado estadual Rafael Nobre (União Brasil), denunciado pelo Ministério Público MPRJ) por suspeita de envolvimento em organização criminosa, fraudes em licitações, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.
Os únicos votos contrários ao deferimento foram os dos desembargadores Guilherme Calmon e Bruno Bodart. Com o resultado, a Corte autorizou a candidatura de Nobre, eleito no primeiro turno das eleições de outubro com 76.706 votos.
O julgamento havia sido suspenso na semana passada, após o pedido de vista de Calmon. Na ocasião, o relator do caso, desembargador Paulo Cesar Salomão Filho, votou pelo deferimento do registro, posição acompanhada por outros integrantes do tribunal.
Relator não viu provas suficientes de vínculo com organização criminosa
Ao apresentar seu voto, Salomão Filho avaliou que os elementos reunidos no processo não demonstravam vínculo funcional de Rafael Nobre com uma organização criminosa armada ou estrutura paramilitar. Para o relator, as mensagens extraídas do celular de Ivan Berg, preso em flagrante durante uma investigação sobre suspeita de compra de votos em Nilópolis, não comprovavam a participação direta do deputado no esquema.
O desembargador também destacou que as conversas não descreviam atos concretos praticados por Nobre e que a investigação da Polícia Federal não o incluiu entre os investigados nem atribuiu a ele uma função na organização.
Procuradoria apontou tese da ‘milícia de gravata’
A Procuradoria Regional Eleitoral defendeu que a denúncia contra o deputado, somada aos elementos da Operação Astreia, justificaria a aplicação da tese conhecida como “milícia de gravata”. A operação investiga uma suposta estrutura armada utilizada para compra de votos nas eleições municipais de 2024, em Nilópolis.
Segundo a Procuradoria, mensagens extraídas do celular de Ivan Berg indicariam contatos entre ele e Nobre, além de referências à presença do deputado em reuniões políticas. A defesa sustentou que o parlamentar não é investigado na operação e que as mensagens não demonstram participação em atividades criminosas.
Denúncia envolve contratos de R$ 357,9 milhões
Em julho, o MPRJ denunciou Rafael Nobre, o vereador de São João de Meriti Júlio Ricardo dos Santos Henriques, conhecido como Magrão Nobre (União Brasil), e outras oito pessoas por suspeita de organização criminosa, fraude em licitações, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.
Segundo a denúncia, o grupo teria utilizado empresas de fachada e sócios laranjas para fraudar licitações e obter contratos com as prefeituras de Magé e Japeri. Os contratos investigados somariam R$ 357,9 milhões. O Ministério Público também pediu o ressarcimento do valor aos cofres públicos e a perda dos mandatos dos parlamentares denunciados.
Na ocasião, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados, incluindo o gabinete de Nobre na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).
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Chegou a hora de o PL mostrar maturidade política e responsabilidade com o futuro do Rio de Janeiro. Não podemos mais cair na tentação dos nomes de “orelhinha bonita” — os que parecem ser, mas não são. Já erramos apostando em supostos gestores que se revelaram projetos pessoais de poder. O exemplo recente está aí: alguém que, em pouco tempo, já sonhava até com a Presidência da República.
A escolha do próximo governador do nosso estado precisa ser feita com seriedade, estratégia e preparo. O Rio é o estado mais politizado do Brasil — aqui todo mundo quer o cargo, mas poucos têm preparo para o encargo. É preciso um nome que inspire confiança, que conheça a máquina pública e que esteja pronto para governar com equilíbrio e firmeza.
O Partido Liberal tem quadros técnicos e políticos competentes para preparar esse nome, treiná-lo e colocá-lo em condições de governar o estado com responsabilidade. O governador Cláudio Castro teve um tempo de amadurecimento, foi vice, conheceu a máquina e venceu com preparo e equilíbrio. É esse tipo de transição que o PL precisa construir.
Escolher um nome apenas pelo oba-oba, pelo “já ganhou”, será um erro fatal. Um filho feio que depois ninguém vai querer assumir a paternidade. O PL tem a missão — e a oportunidade — de estruturar desde já um nome que comece a se integrar ao governo estadual, conhecendo por dentro as engrenagens e as dificuldades.
O Rio de Janeiro não pode mais ser entregue a supostos gestores que só sabem administrar com empréstimos e acordos políticos. E muito menos àqueles que traem seus aliados e que se sustentam na base da vingança e da conveniência.
O momento é de firmeza, de preparo e de lucidez. O PL tem condições de conduzir esse processo e apresentar ao povo fluminense um governador à altura do desafio de recolocar o nosso estado no caminho certo. Confiamos na presidência estadual e municipal para o start dessa missão ?
Uma chapa muito boa seria:
Marcelo Crivella Governador
Cris Tonietto vice governadora
Vou, em meio aos meus devaneios, sugerir um nome ainda não ventilado: Capitão Nelson