Cerca de 50 mil itens do acervo do arquiteto Sérgio Bernardes foram oficialmente doados à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O acervo reúne plantas, fotografias, croquis e maquetes de projetos que marcaram a arquitetura carioca, além de propostas que o profissional desenvolveu nos anos 1960 para transformar a cidade, como um túnel sob a Baía de Guanabara e edifícios em espiral com acesso ao sol, ao vento e à vegetação.
O material está sob a guarda da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da universidade há mais de dez anos e está disponível para consulta de estudantes e pesquisadores. A formalização da doação permite que a instituição mantenha a coleção, considerada patrimônio brasileiro e declarada de interesse público e social.
Projetos previam mudanças na paisagem do Rio
Em 1965, Bernardes apresentou, em uma edição especial da revista Manchete, propostas para o Rio do ano 2000. Entre as ideias estavam diferentes formas de ligação entre a capital e Niterói, que na época dependia do transporte por barcas para a travessia da Baía de Guanabara.
Uma das propostas previa uma ponte com hotéis integrados à estrutura. Outra reuniria funções portuárias e comerciais, com espaços para atracação de navios, alfândega e lojas.
Plantas registram obras importantes da cidade
Além dos projetos que não chegaram a ser executados, a coleção reúne documentos de obras conhecidas do Rio. Entre eles estão desenhos dos postos de salvamento de Copacabana, que receberam formas inspiradas em uma quilha e foram concebidos para reduzir o impacto visual na paisagem da praia.
O acervo também inclui plantas originais do Pavilhão de São Cristóvão. A maquete preservada permite observar a cobertura da construção, inaugurada no início da década de 1960. A estrutura cedeu e não foi reconstruída.
Coleção inclui trabalhos de Burle Marx
A Faculdade de Arquitetura e Urbanismo também mantém documentos de outros nomes da arquitetura moderna brasileira. Entre eles estão desenhos originais de Roberto Burle Marx para o mosaico do Conjunto Residencial Prefeito Mendes de Moraes, conhecido como Pedregulho, em Benfica, na Zona Norte do Rio.
Projetado pelo arquiteto Affonso Eduardo Reidy e concluído na década de 1950, o conjunto habitacional foi construído para abrigar funcionários públicos do então Distrito Federal.


























































