O Procon-RJ instaurou uma sindicância para apurar o possível vazamento de informações sigilosas sobre fiscalizações em postos de combustíveis no estado do Rio de Janeiro. A medida foi formalizada em portaria publicada no Diário Oficial desta sexta-feira (16), que instituiu uma comissão com prazo de 30 dias para apresentar os resultados da investigação administrativa.
A abertura da sindicância ocorre após a Polícia Federal identificar indícios de que informações internas sobre operações do órgão eram repassadas antecipadamente a integrantes de uma rede de postos de combustíveis investigada na operação Unha e Carne. Entre os dados que teriam sido compartilhados estão datas, horários e roteiros das equipes de fiscalização.
O procedimento do Procon-RJ e da Secretaria de Estado de Defesa do Consumidor (Sedcon) tem caráter administrativo e deverá apurar especificamente as circunstâncias do possível vazamento de informações e a eventual responsabilidade de agentes vinculados aos órgãos.
PF investiga vazamento ligado à rede de postos
Na oitava fase da operação Unha e Carne, deflagrada nesta quinta-feira (15), a PF apontou indícios de que integrantes do grupo recebiam informações antecipadas sobre operações do Procon-RJ. As mensagens analisadas pelos investigadores incluíam avisos sobre fiscalizações previstas para o dia seguinte e referências ao compartilhamento de documentos e cronogramas internos.
Segundo a Polícia Federal, o grupo investigado movimentou mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos. A Justiça também determinou o sequestro de bens e valores e a suspensão das atividades econômicas de 112 empresas ligadas à rede, entre elas 96 postos de combustíveis.
O deputado eleito Márcio Canella (União Brasil), preso na operação, é apontado pela investigação como elo entre o poder público, a rede de postos suspeita de ser utilizada para lavar dinheiro e integrantes da organização criminosa.

COM FÁBIO MARTINS


























































