Dois irmãos inspetores da Polícia Civil voltaram a ser presos nesta quinta-feira (15), quando foi deflagrada a 8ª fase da Operação Unha e Carne, da Polícia Federal. Nesta mesma ação também foi preso Márcio Canella (União Brasil), o 2º deputado estadual mais votado nas eleições no estado do Rio e ex-prefeito de Belford Roxo. Os policiais Christiano Gaspar Fernandes e Giovanni Gaspar Fernandes foram alvo da polícia em 2011, no âmbito da Operação Guilhotina, também da PF, que investigava suspeitas de corrupção policial.
Christiano ocupa o cargo de secretário municipal de Ordem Urbana de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, reduto eleitoral onde Márcio Canella mostrou força este ano. Teve 197.178 para deputado estadual e pode ocupar uma vaga na Alerj. À época da Guilhotina, Christiano trabalhava como investigador na 22ª DP (Penha). De acordo com a Polícia Federal e o Ministério Público, ele integrava o núcleo responsável pela atuação da milícia em Ramos.
Os irmãos eram suspeitos de integrar uma quadrilha formada por policiais civis e militares. De acordo com as investigações, o grupo desviava armas, munições e bens apreendidos em operações policiais e mantinha ligação com a milícia que atuava na Favela Roquete Pinto, em Ramos.
A quadrilha, segundo a polícia, era dona de serviços clandestinos de TV por assinatura, cobrava taxas de moradores e comerciantes e controlava a venda de gás. Envolvimento dos integrantes em homicídios e ocultação de cadáveres também eram investigados.
A Polícia Federal fez interceptações telefônicas e encontrou integrantes discutindo a apropriação de bens encontrados durante operações policiais no Complexo do Alemão. Eles falavam em televisões, eletrodomésticos e até pares de tênis deixados por traficantes que fugiram da comunidade durante a ocupação ocorrida em 2010.
Christiano e Giovanni são filhos do policial militar reformado Ricardo Afonso Fernandes, o Afonsinho. De acordo com a Polícia Federal, Afonsinho era um dos chefes da milícia ao lado do ex-subchefe operacional da Polícia Civil, delegado Carlos Antônio Luiz de Oliveira.
Na época, o chefe de Polícia Civil, delegado Allan Turnowski, foi indiciado por vazar informações. De acordo com a investigação, Turnowski ligou cinco vezes para o inspetor Christiano para alertá-lo que ele estava sendo investigado. Por conta disso, Turnowski acabou sendo demitido pelo então governador Sérgio Cabral, que foi preso por outros motivos tempos depois.
Os irmãos Gaspar Fernandes chegaram a ser condenados e expulsos da Polícia Civil. Mas, em 2018, o governador Luiz Fernando Pezão anulou a demissão. Segundo pareceres citados pelo governo, a Justiça havia reconhecido a prescrição dos crimes atribuídos aos policiais. Mas decisão administrativa gerou controvérsia por contrariar o entendimento da Corregedoria-Geral Unificada.


































































