O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) denunciou, nesta quinta-feira (16), dez policiais militares do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) por violação de domicílio, descumprimento de missão e recusa de obediência durante uma operação no Complexo da Maré, ocorrida em janeiro de 2025.
De acordo com as investigações, em uma casa, segundo a gravação de uma COP (câmera operacional portátel), um PM do Bope encontra a porta aberta e entra na sala, onde 3 policiais já estão sentados no sofá. Ele vai até a cozinha, abre a porta da geladeira, mexe nos produtos no congelador e pega um guaraná natural.
Logo depois, o policial cobre a lente da câmera, mas o áudio ainda é captado. O grupo fala sobre a comida encontrada na casa. “Tem bacon ali, tem carne, bacon”, destacou um.
De acordo com o Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp/MPRJ), os agentes invadiram 13 residências na Nova Holanda — em alguns casos utilizando, inclusive, chave mestra ou arrombando a porta, sem qualquer autorização dos moradores ou ordem judicial.
Lentes obstruídas
As investigações apontam ainda que agentes obstruíram deliberadamente as lentes das câmeras operacionais portáteis (COPs), o que resultou em gravações com “tela preta”, dificultando o registro das ações durante a operação. Por isso a denúncia do MPRJ aos policiais por recusa de obediência.
Os dez denunciados são: Bruno Martins Santiago, 3º sargento; Carlos Alberto Britis Júnior, 3º sargento; Claudio Santos da Silva, 1º sargento; Diego Ferreira Ramos Martins, cabo; Diogo de Araújo Hernandes, 3º sargento; Douglas Nunes de Jesus, 2º sargento; Felippe C. de S. Martins, 1º tenente; Jorge Guerreiro Silva Nascimento, cabo; Rodrigo da Rocha Pita, cabo; e Rodrigo Rosa Araujo Costa, 1º sargento.
O que diz a PM
A Assessoria de Imprensa da Secretaria de Estado de Polícia Militar enviou uma nota ao TEMPO REAL sobre o assunto. Eis a íntegra:
“A Corregedoria-Geral da Corporação, assim que tomou conhecimento do possível desvio de conduta envolvendo policiais, ocorrido em janeiro do ano passado, instaurou o procedimento apuratório cabível. Após a conclusão das investigações, o relatório foi encaminhado à Auditoria de Justiça Militar.
Ao agir dessa forma, o comando da Corporação reafirma seu compromisso com a legalidade e a transparência, colocando-se à disposição do Ministério Público para colaborar integralmente com as investigações em andamento. Ressalta, ainda, que não compactua com quaisquer desvios de conduta por parte de seus integrantes, adotando medidas rigorosas sempre que os fatos são comprovados”.

