Se existe um exemplo de sobrevivência e articulação política na máquina pública fluminense, seu nome é Sergio Tavares Romay. Em atos publicados no Diário Oficial desta terça-feira (14), Romay protagonizou uma manobra na Junta Comercial do Estado (Jucerja): foi exonerado, a pedido, do cargo de Chefe de Gabinete (símbolo VP-3) e, no mesmo ato, nomeado para o cargo de Assessor da Assessoria de Decisão Colegiada da Secretaria Geral (símbolo DAS-8).
A movimentação mantém Sergio Romay na estrutura da Junta Comercial poucos meses após deixar a presidência do órgão, cargo que ocupou entre 2021 e março de 2026. Na ocasião, ele foi substituído por Alexandre Pereira Velloso durante a reorganização administrativa promovida pelo governo estadual.
E a permanência de Romay na estrutura da Jucerja ocorre menos de um mês depois de ele ter sido alvo de uma operação da Polícia Civil, deflagrada em 25 de junho.
A investigação apura uma suposta fraude estimada em até R$ 2,5 bilhões envolvendo a reativação do Banco de Crédito Móvel S.A., instituição financeira extinta na década de 1960.
Segundo os investigadores, registros da empresa teriam sido restabelecidos de forma irregular na Jucerja para embasar disputas judiciais envolvendo precatórios e áreas de alto valor imobiliário na Barra da Tijuca e no Recreio dos Bandeirantes.
Na ocasião, policiais cumpriram mandados contra servidores e ex-dirigentes da Junta Comercial, entre eles Sergio Tavares Romay. A investigação segue em andamento e, até o momento, não há condenações relacionadas ao caso.


COM FÁBIO MARTINS

