“Esse acidente no Maracanã é mais um episódio daquilo que nós chamamos de tragédias anunciadas”.
A frase do presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro (CAU/RJ), Sydnei Menezes, sobre o desabamento de duas casas na madrugada desta segunda-feira (02), na Zona Norte, resume a ausência ou ineficácia de políticas públicas que impeçam, de fato, que essas ocorrências se repitam a cada verão.
O episódio, próximo à antiga favela do metrô, resultou na morte de Michelle Martins, de 40 anos, que ficou soterrada sob os escombros por cerca de cinco horas. No dia anterior (01), a cidade do Rio de Janeiro registrou chuvas e ventos extremos e entrou em Estágio 2, segundo classificação do Centro de Operações e Resiliência da Prefeitura do Rio (COR-Rio), nível que indica risco de ocorrências de alto impacto.
Para Sydnei Menezes, o caso chama atenção para a vulnerabilidade de construções sem acompanhamento técnico adequado diante do excesso de chuvas.
“Por causa de eventos climáticos agressivos, toda infraestrutura vulnerável corre risco. Não só nas comunidades, mas também em muitas construções precarizadas, que normalmente não apresentam acompanhamento técnico de um profissional da arquitetura e urbanismo ou da engenharia”, disse o arquiteto e urbanista, sobre a tragédia.
Caso do Maracanã ilustra o atraso na resposta do poder público
A atuação do poder público para prevenir que novas tragédias ocorram foi ressaltada pelo presidente do CAU/RJ, que acredita na necessidade de ações mais incisivas:
“O poder público está muito atrasado em dar suas respostas. É claro que temos casos pontuais de fiscalização de construções que ocorrem sem acompanhamento técnico, mas isso precisa ser agilizado. É preciso ter uma ação de grande escala, com envolvimento entre o governo federal, estadual e municipais, para que se tenha um grande plano de intervenção”, alerta.

