Em sessão na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), na manhã nesta quinta-feira (20), deputados travaram um debate acalorado durante a discussão do projeto de lei que propõe a proibição de propaganda de casas de apostas (bets) em atividades esportivas no estado. Em meio ao bate-boca, sobrou até para o cantor Gusttavo Lima.
A proposta, de autoria do deputado Rodrigo Amorim (União), gerou confrontos entre Yuri Moura (PSOL) e o parlamentar Alexandre Knoploch (PL), que envolveram o cantor sertanejo e até a defesa da legalização da maconha.
Yuri, ao apoiar a proposta, criticou a contradição de um parlamentar de direita, como Amorim, apresentar um projeto que limita a publicidade de apostas nos esportes. Ele vinculou a discussão a questões éticas, mencionando o caso do cantor Gusttavo Lima, que recentemente foi envolvido em uma ação policial sobre exploração de bets.
Alexandre Knoploch (PL), em resposta, citou o posicionamento do grupo político de Yuri Moura sobre a maconha. Ou seja, a discussão foi se afastando cada vez mais do tema central.
“O Gusttavo Lima é um garoto propaganda e ganha para isso. O deputado critica a propaganda de apostas, mas seu grupo defende a publicidade da maconha”, disse.
Das bets ao jogo do bicho

O assunto também rendeu entre os deputados Thiago Gagliasso (PL) e Luiz Paulo (PSD). O ex-ator atacou a proposta, alegando a liberdade que cada cidadão deve ter de apostar, e que não acredita em uma diferenciação entre as bets e outras modalidades como a popular “Mega-Sena”, da Caixa Econômica Federal e até mesmo o jogo do bicho.
“Parece que o jogo começou agora no Rio de Janeiro. Se eu quiser sair daqui e jogar R$ 200 reais no jogo do bicho, eu posso” disse o deputado, ressaltando uma suposta hipocrisia.
A fala, no entanto, não passou despercebida por Luiz Paulo, que pediu a palavra para relembrar o colega de plenário, que o jogo do bicho é ilegal, e considerado contravenção. Gagliasso, por sua vez, se retratou, e disse que apesar de não jogar no bicho, sabe que mesmo ao lado da Assembleia, é fácil encontrar qualquer “banca”. O embate foi finalizado com uma resposta inusitada de Luiz Paulo, que “deu a língua” ao colega.
Projeto quer ‘fechar o cerco’ contra bets
A proposta — que recebeu emendas e saiu de pauta na sessão desta quinta-feira (20) — prevê a proibição de publicidade e patrocínio de empresas de apostas, conhecidas como Bets, em atividades desportivas dentro do estado. O que poderia obrigar os 20 clubes da série A do Campeonato Brasileiro, a alterar seus uniformes para disputar partidas de futebol no estado do Rio.
Todos os 20 clubes da série A são patrocinados por bets, sendo 90% deles com as empresas de apostas na posição de patrocinador master, em destaque no centro do uniforme. Apenas Bragantino e Mirassol não ostentam as marcas no espaço principal — mas têm o patrocínio de duas bets.
Pela proposta, ficariam proibidos no Rio o patrocínio e a publicidade de empresas e sítios de apostas ou similares, sob qualquer modalidade, em todas as atividades desportivas. A proibição se estende à veiculação publicitária em camisas, bonés, viseiras, e demais itens similares, arenas e equipamentos esportivos, bem como rádio, televisão ou transmissões online.
Se aprovado, também será proibido no Rio usar imagem de atletas na comercialização, bem como a inclusão de brindes promocionais, brinquedos ou itens colecionáveis associados com as apostas esportivas. Em caso de descumprimento das restrições apresentadas nos artigos antecedentes, o infrator estará sujeito às penas de suspensão da veiculação da publicidade e multa.