A Páscoa deste ano será um pouco mais amarga para os consumidores do Rio de Janeiro. Faltando pouco mais de 15 dias para o feriado de origem cristã, que mobiliza, tradicionalmente, o coelhinho da páscoa e seus ovos de chocolate, quem precisa ir até os supermercados e lojas para fazer o papel ingrato de pagar a conta do coelhinho, está levando um susto com os preços nada adocicados, que, a depender da marca e tamanho, chegam aos três dígitos.
Ao conferir os valores em uma loja de varejo popular do Centro do Rio, Ana Maria Silva, de 59 anos, decidiu que 2025 será o ano para apostar na substituição dos ovos por barras de chocolate, para conseguir presentear os familiares nessa Páscoa. Com o orçamento apertado, não será possível nem mesmo comprar um ovo de para si.
“Pensei em comprar só para mim. Mas o ovo que eu quero, comum, está R$ 85 reais. Com esse valor, quantas barras eu poderia comprar? Acho que a gente paga muito mais pela embalagem, pelo brinde, por ser um ovo e pela tradição”, diz Ana Maria.
Com ovos chegando até os R$ 100, algumas lojas já oferecem inclusive a opção de parcelamento das compras. No entanto, para Isabella Pereira, de 24 anos, a melhor opção é o mercado de ovos artesanais. Assim, mantém a tradição e não corre o risco de se endividar por causa do feriado.
“É inviável comprar um ovo de Páscoa por R$ 100, recebendo um salário mínimo”, diz a estudante e estagiária. Segundo Isabella, investir e apoiar pequenos empreendedores, pode ser vantajoso tanto para os consumidores, como também para outros trabalhadores.

Apesar da alta, a Páscoa (ainda) respira
Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o aumento do custo do cacau em nível mundial — de cerca de 180% em dois anos —, está refletindo no valor dos produtos para a Páscoa e para a produção permanente do setor. A alta da fruta se concentrou no segundo semestre do ano passado, em decorrência da quebra de safra nos grandes produtores africanos. A instabilidade no setor deve se manter também nesta temporada, com o maior produtor, Costa do Marfim, ainda enfrentando impacto significativo de ondas de calor e da seca.
Segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), os preços dos ovos de chocolate e produtos relacionados (bombons, miniovos, coelhos e barras) tiveram aumento médio de 14%, e as colombas ficaram 5% mais caras neste ano. Para lidar com o aumento de custos, o setor usa como estratégia a diversificação de portfólio, com produtos menores e mais variados.
No entanto, de acordo com levantamento divulgado pela Associação dos Supermercados do Estado do Rio (Asserj), mesmo com o aumento dos preços, o consumo de chocolate na Páscoa deste ano não deve recuar, mesmo que a previsão seja conservadora. A entidade aponta que o consumidor brasileiro continua buscando alternativas para equilibrar o orçamento, replicando o comportamento de 2024, quando apostou em formatos mais econômicos, como barras, caixas de bombons.
Em 2024, o volume de compras de chocolate nos meses de março e abril cresceu 15% em relação a 2023, impulsionado principalmente por barras (22,5%) e caixas de variedades (45,3%). As caixas de chocolates representaram mais de 50% do volume de produtos presenteados no feriado, enquanto os ovos de Páscoa tiveram queda de participação, de 20% em 2023 para 12,6% em 2024.
Já uma pesquisa do Clube dos Diretores Lojistas do Rio de Janeiro (CDLRio) e do Sindicato dos Lojistas do Comércio do Município do Rio de Janeiro (SindilojasRio), também prevê que o comércio carioca deve ter aumento de 0,5% nas vendas para a Páscoa.