A discussão sobre a taxa de turismo criada pela Prefeitura de Angra dos Reis ganhou um novo capítulo no mínimo curioso. A Comissão de Meio Ambiente da Alerj precisou transferir para uma praça a audiência pública marcada para esta quinta-feira (14), na Vila do Abraão, em Ilha Grande, após a interdição da quadra que havia sido reservada para o evento há mais de uma semana.
Segundo integrantes da comissão, o espaço foi fechado pela prefeitura apenas dois dias antes da audiência, sob a justificativa de realização de obras de reforma. A mudança passou a ser tratada por muitos como uma tentativa de esvaziar ou dificultar o debate público sobre a cobrança da nova taxa municipal.
A audiência, aberta para a população, acontece às 18h e deve reunir moradores, empresários do setor turístico, barqueiros e representantes do poder público para discutir os impactos da cobrança sobre a economia local e a infraestrutura da ilha.
O debate vem sendo puxado pela Comissão de Meio Ambiente da Alerj e pelo deputado estadual Marcelo Dino (PL), crítico da nova taxa implementada pela prefeitura. Segundo ele, moradores e turistas seguem convivendo com problemas históricos de saneamento, abastecimento de água e descarte irregular de esgoto, sem perceber contrapartidas práticas da arrecadação.
A cobrança da chamada taxa de turismo começou a ser discutida no ano passado, após o envio do projeto pela Prefeitura de Angra à Câmara Municipal. Desde então, comerciantes e representantes do setor hoteleiro vêm questionando os efeitos da medida sobre o turismo da região.
De acordo com a Associação dos Meios de Hospedagem da Ilha Grande, um dos principais pontos de crítica é a falta de investimentos visíveis em infraestrutura básica. Um grupo de moradores criado para discutir o tema já reúne mais de 700 participantes e vem promovendo mobilizações contra a cobrança nas redes sociais e em reuniões comunitárias.

