Não é à toa que o governador eleito Douglas Ruas (PL) quer olhar, com lupa, o Projeto de Lei Orçamentária para 2027 enviado à Assembleia Legislativa pelo governador em exercício Ricardo Couto.
Se não sabe, o moço já desconfia que encontrará uma conta salgada ao assumir o Palácio Guanabara.
Levantamento com base nos dados oficiais da Secretaria Estadual de Planejamento e Gestão revela que a folha de pagamento do executivo cresceu 6,23% entre janeiro e agosto de 2026, passando de R$ 3,27 bilhões para R$ 3,47 bilhões mensais. São R$ 203,9 milhões a mais por mês, mesmo com uma redução de 3.752 vínculos de servidores ativos, aposentados e pensionistas.
Parte importante dessa elevação está relacionada à recomposição salarial autorizada pela lei estadual nº 9.436, de outubro de 2021, ainda durante o governo Cláudio Castro (PL). A legislação estabeleceu a recuperação de perdas inflacionárias acumuladas entre 2017 e 2021, mas duas parcelas permaneceram pendentes.
Coube ao governador em exercício Ricardo Couto regulamentar os pagamentos: 5,62% na competência de julho, creditados em agosto, e outros 5,62% previstos para outubro, com pagamento em novembro. O segundo reajuste ainda não aparece no levantamento de agosto, o que significa que a folha poderá chegar a 2027 em um patamar superior ao já registrado.
O problema é que, enquanto a despesa com pessoal aumenta, a principal fonte de receitas extraordinárias do Rio pode perder força. A agência internacional Fitch Ratings projeta que o petróleo Brent, estimado em média de US$ 87 por barril em 2026, recue para US$ 70 em 2027, uma queda de aproximadamente 19,5%.
A expectativa é de excesso de oferta no mercado internacional. Para um estado fortemente dependente de royalties e participações especiais, a combinação de petróleo mais barato e despesas permanentes crescentes representa um desafio fiscal. O efeito efetivo sobre a arrecadação dependerá também da produção e do câmbio.
O próprio governo Couto já reconheceu o tamanho do problema na proposta orçamentária. Para 2027, o executivo prevê R$ 80,85 bilhões em despesas com pessoal e encargos sociais, um crescimento de R$ 9,64 bilhões em relação ao orçamento de 2026, considerando, entre outros fatores, os efeitos da recomposição salarial.
A proposta estima um déficit de R$ 13,98 bilhões, além da necessidade de destinar R$ 23,8 bilhões do Tesouro para cobrir obrigações previdenciárias.
Douglas Ruas assume o governo com mais despesa e perspectiva de menos arrecadação
Na prática, Douglas Ruas assumirá o governo diante de uma equação delicada: uma folha mais cara, compromissos salariais incorporados ao orçamento e a perspectiva de menor arrecadação com o petróleo.
Ao contrário de despesas que podem ser contingenciadas, salários e aposentadorias representam obrigações continuadas. O desafio do próximo governador será acomodar esse crescimento sem comprometer o pagamento do funcionalismo, os serviços públicos e a capacidade de investimento do estado.
A recomposição nasceu em 2021, foi implementada em etapas até 2026, mas sua conta integral chegará ao orçamento de 2027.
COM FÁBIO MARTINS
Comentários 1
Não tenho formações necessárias sobre a vida política da família “Garotinho”,mas seguindo a toada da história política e empresarial do Rio de Janeiro e de seu passado,fica muito difícil acreditar em uma restauração da honestidade de Antônio e seu cla.