O governador eleito Douglas Ruas (PL) pode ainda não ter todos os nomes do seu secretariado, mas uma coisa já está decidida: ele e a família não vão morar no aristocrático Palácio das Laranjeiras, construído pela família Guinle no início do século XX.
Assim como Leonel Brizola, Marcello Alencar, Sérgio Cabral e Cláudio Castro, Douglas disse que não fará sua mudança para a bela mansão do Parque Guinle.
“Nunca!”, afirmou enfaticamente. “Permaneceremos em São Gonçalo!”
Douglas é nascido e criado na populosa cidade da Região Metropolitana há quase seis anos administrada por seu pai, o prefeito Coronel Nélson (PL). Durante toda a campanha eleitoral, o governador eleito bateu na tecla de que é parte do “Rio real”, referindo-se às periferias, e não do “Rio da novela”, numa crítica aos governantes que só veem a Zona Sul da capital — região onde se situa o Palácio Laranjeiras.
Inspiração foram os palácios franceses
O Palácio das Laranjeiras nasceu como uma das residências mais luxuosas do Rio de Janeiro.
Construído entre 1909 e 1913 pelo empresário Eduardo Guinle, no Parque Guinle, no bairro de Laranjeiras, foi projetado pelos arquitetos Armando Carlos da Silva Telles e Joseph Gire, com inspiração nos palácios franceses. Seus salões, escadarias de mármore, obras de arte e mobiliário europeu refletiam a riqueza de uma das famílias mais poderosas do país.
Em 1946, o imóvel foi comprado pelo governo federal e passou a receber autoridades estrangeiras. Mais tarde, tornou-se residência presidencial. Juscelino Kubitschek morou ali com a família até a inauguração de Brasília, em 1960.

O palácio também testemunhou alguns dos episódios mais marcantes da história política brasileira. Foi lá que, em dezembro de 1968, o governo militar anunciou o AI-5, um dos atos mais repressivos da ditadura.
Em 1975, com a fusão dos estados da Guanabara e do Rio de Janeiro, o presidente Ernesto Geisel transferiu o imóvel ao governo fluminense. O palácio tornou-se, então, residência oficial dos governadores, começando pelo almirante Faria Lima, que lá se estabeleceu até 1979.
Ao longo das décadas seguintes, abrigou governadores e suas famílias, recebeu autoridades e foi cenário de decisões políticas, festas e crises. Entre seus episódios mais conhecidos está a prisão do então governador Luiz Fernando Pezão, no próprio palácio, em novembro de 2018.
Em maio de 2026, o Palácio das Laranjeiras começou a ser reaberto à visitação pública, inicialmente para estudantes e grupos selecionados, permitindo que parte desse patrimônio histórico fosse conhecida pela população.
Os três palácios do governo
O governo do estado do Rio tem, na verdade, três palácios.
O Guanabara, antiga residência da princesa Isabel e hoje sede administrativa do Executivo; o das Laranjeiras, construído pelo empresário Eduardo Guinle entre 1909 e 1913 e transformado em residência oficial dos governadores em 1975; e o Brocoió, erguido na década de 1930 em uma ilha da Baía de Guanabara, também para a família Guinle.
Este último foi utilizado como residência de veraneio dos governadores, mas deixou de cumprir essa função após o governo de Rosinha Garotinho, encerrado em 2006.




























































