A falsa advogada suspeita de participação em um esquema de fraude milionária envolvendo obras de arte avaliadas em mais de R$ 10 milhões, Michele Coelho Montenegro, de 47 anos, continuará presa. A Justiça do Rio decidiu manter a prisão preventiva da investigada durante audiência de custódia realizada na última quinta-feira (05).
Conhecida socialmente como Mia Montenegro, ela foi presa na quarta-feira (03) durante a Operação Tela Falsa, deflagrada pela Polícia Civil. A ação ocorreu em um apartamento na Rua Visconde de Pirajá, em Ipanema, na Zona Sul do Rio.
Michele é apontada como a principal investigada em um esquema de estelionato e apropriação indébita relacionado à negociação de obras de arte. Segundo as investigações, ela se apresentava como advogada, herdeira de uma grande fortuna e integrante do mercado de arte para conquistar a confiança de empresários e colecionadores.
A suspeita está presa no Instituto Penal Oscar Stevenson, em Benfica, na Zona Norte da capital.
Falsa advogada é ex-assessora da Casa Civil e recebia R$ 16 mil por mês
Além das acusações que motivaram sua prisão, Michele ocupava um cargo comissionado no governo do estado. Conforme revelou o TEMPO REAL, ela foi nomeada em 6 de outubro do ano passado para atuar como assessora na secretaria estadual da Casa Civil utilizando o nome “Mia Montenegro”.
No cargo, recebia remuneração bruta mensal de aproximadamente R$ 16 mil. Após tomar conhecimento da operação policial, o governo estadual determinou sua exoneração, publicada em edição extraordinária do Diário Oficial no mesmo dia da prisão.
Em nota, a Casa Civil informou que a nomeação ocorreu antes da implementação dos atuais procedimentos de compliance adotados para cargos comissionados.
Servidores da pasta relataram ainda que Michele costumava afirmar ser irmã de uma desembargadora. Filha de um vice-almirante que morreu em 2021, ela também se apresentava como advogada, embora não possua inscrição ativa na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ).
De acordo com o Ministério Público, a investigada chegou a constar como estagiária nos registros da entidade, mas o cadastro não está mais ativo.
Obras avaliadas em mais de R$ 10 milhões estão no centro da investigação
Segundo o delegado Marcos Buss, titular da Delegacia de Defraudações (DDEF), Michele é mencionada em 17 procedimentos investigativos. A polícia sustenta que ela construiu uma falsa imagem de credibilidade para ganhar a confiança de um antiquário, vítima central do caso.
As apurações indicam que a investigada prometia negócios altamente lucrativos para obter adiantamentos financeiros e acesso a obras de grande valor. Ao todo, quatro peças avaliadas em mais de R$ 10 milhões teriam sido entregues à suspeita.
A denúncia da 5ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal Especializada afirma que os quadros passaram a ser negociados como se fossem patrimônio da própria Michele, sem autorização do proprietário legítimo.
Entre as obras envolvidas estão trabalhos atribuídos aos artistas Sérgio Camargo e Ivan Serpa. Duas peças de Camargo teriam sido avaliadas em cerca de R$ 5,36 milhões. Já as obras “Série Amazônia nº 25” e “Série Mangueira nº 25”, ambas de 1970 e assinadas por Ivan Serpa, foram avaliadas em aproximadamente US$ 750 mil.
Ainda segundo a investigação, Michele entregou à vítima cheques de R$ 430 mil, R$ 840 mil e R$ 900 mil. Todos teriam sido devolvidos pelos bancos com indicação de fraude.
Procurada, a defesa de Mia Montenegro afirmou que ela também é vítima dos fatos investigados e que busca acesso aos autos para esclarecer as circunstâncias do caso.
Em nota, o advogado Paulo Gomes Rangel Neto declarou que “Mia Montenegro foi mais uma vítima, dentre outras, nos fatos investigados” e afirmou que a inocência da cliente será demonstrada ao longo do processo. A defesa também sustenta que ela tem direito à liberdade.
Com informações do jornal “O Globo”.

