Uma tentativa de cumprimento de mandado judicial no Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio, expôs o avanço da influência do crime organizado sobre territórios dominados pelo tráfico de drogas. Segundo relato de um oficial de Justiça, a diligência não foi realizada após ser informado de que integrantes do Comando Vermelho (CV) proibiram a entrada de agentes do Judiciário na região.
A restrição imposta pela facção se estenderia às principais vias de acesso às comunidades do complexo, cenário que foi considerado de alto risco para a atuação dos servidores e inviabilizou o cumprimento da ordem judicial.
Informação foi descrita em documento enviado ao TJRJ
O relato do agente judiciário foi feito em um documento enviado ao Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ) do qual o colunista do Metrópoles, Carlos Carone, teve acesso.
A certidão, elaborada após uma tentativa frustrada de cumprimento de um mandado, destaca que qualquer oficial de Justiça identificado na região dominada pelo CV estaria sujeito a ameaças e até mesmo à morte.
O oficial também relatou que os riscos seriam grandes mesmo com o apoio da Polícia Militar e que, por isso, estaria devolvendo o mandado ao cartório.
CV classificado como organização terrorista
A facção criminosa em questão esteve nos holofotes nos últimos dias após o Departamento de Estado dos EUA classificá-la como organização terrorista. O anúncio também incluiu o PCC (Primeiro Comando da Capital), facção com raízes em São Paulo, na mesma categoria.
O governo federal foi contra a medida e argumentou que ela poderia colocar em risco a soberania nacional ao abrir espaço para ações militares norte-americanas sob o pretexto de combate ao terrorismo. Além disso, a classificação seria contra a legislação brasileira que distingue atividades praticadas por fações criminosas do terrorismo.
Na mesma semana, um grupo de deputados do Partido Liberal (PL) na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) apresentou um projeto de lei para classificar o CV e o PCC da mesma forma no âmbito do Rio de Janeiro.
Caso aprovado, o projeto permitirá que os órgãos de segurança criem ações específicas para combater as facções em questão e atuem em parceria com instituições brasileiras e estrangeiras.
Com informações do portal Metrópoles.

