Após a chegada do ofício do Tribunal Regional Eleitoral à Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), a disputa pela presidência da casa está oficialmente aberta — mas as articulações políticas já começaram bem antes da vacância do cargo de Rodrigo Bacellar (PL), cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral no caso Ceperj.
E, na leitura do ex-presidente André Ceciliano (PT), Eduardo Paes (PSD) estaria, no jargão futebolístico, “cabeceando na hora que tem que cruzar e cruzando na hora que tem que cabecear”.
Disputa pelo comando da Alerj teria feito Paes considerar apoio a adversários
Ceciliano comentou, em entrevista na manhã desta quarta-feira (15), as articulações entre os blocos políticos de Paes e do ex-governador Cláudio Castro (PL).
“A turma do Cláudio Castro e do Flávio Bolsonaro quer eleger o Douglas Ruas. E há uma possibilidade dos partidos progressistas se juntarem ao Eduardo Paes em alguma dissidência ali e eleger o deputado Vitor Júnior, do PDT de Niterói”, explicou.
Na avaliação dele, o grupo ligado ao ex-prefeito do Rio passou por muitas tentativas diferentes de compor uma chapa — e foi longe demais.
“Primeiro a turma do Eduardo Paes inventou o Chico Machado. Eu disse: é meu amigo, mas não tem voto. Ele desistiu e se filiou ao PL”, afirmou. “E agora estão inventando uma jabuticaba: estão pedindo voto pro Guilherme Delaroli (PL)”.
Ceciliano afirma que o problema não está apenas nos nomes em disputa, mas na dificuldade de consolidar um caminho único entre os grupos: “tem gente olhando só o seu umbigo, tem gente com salto alto”.
Apesar do cenário indefinido, o ex-presidente da Alerj disse acreditar que, caso a votação seja secreta, ainda há espaço para oposição formar a maioria — desde que haja coordenação entre os blocos para eleger Vitor Júnior.

