Pelo quarto ano consecutivo, o governador do Rio, Cláudio Castro (PL), zarpou para participar da abertura do carnaval na Bahia — e voltar a tempo de estar no território sagrado da festa de Momo, a Marquês de Sapucaí. Bem no clima da animada folia de Salvador, Castro foi recebido, nesta quinta (12), pelo prefeito Bruno Reis (União Brasil), e chamado de “amigo” pelo governador petista da Bahia, Jerônimo Rodrigues.
Nada que um carnaval não cure. Os dois chegaram a trocar farpas publicamente no ano passado por causa da megaoperação dos complexos da Penha e do Alemão, que deixou mais de 120 mortos.
“[Cláudio Castro] sempre vem aqui e pessoalmente é um amigo. Nós disputamos política em lados diferentes. Já participei de debates com ele, onde ficam muito claras as posturas diferentes de ideologia, mas da amizade não”, disse o governador do PT, em entrevista à imprensa local, pouco depois de um longo abraço com o político do PL.
Castro concedeu medalha fluminense a prefeito de Salvador
Castro esteve por lá para homenagear outro amigo de uma sigla diferente: Bruno Reis recebeu do governador do Rio a primeira Medalha Tom Jobim. Criada em decreto de Castro no ano passado, a honraria é dedicada a “personalidades que tenham contribuído para a projeção internacional do Rio de Janeiro”, segundo a legislação.
“Se eu não me engano, o senhor é o primeiro a receber essa homenagem”, disse Castro, que não entrou em detalhes sobre o motivo para atribuir o título fluminense ao colega de Salvador e disse apenas que a medalha é “uma forma de reconhecer essa relação histórica e de valorização da cultura brasileira” entre Rio e Bahia.

Junto de Castro, também pularam o carnaval na Bahia dois de seus aliados: o secretário estadual do Ambiente, Bernardo Rossi (Solidariedade), e o vereador carioca Diego Faro (PL). Entre os amigos que participaram da cerimônia estavam, ainda, ACM Neto (União), ex-prefeito de Salvador e vice-presidente nacional do União Brasil.
Castro chamou ‘amigo’ de ‘mal-assessorado’ em novembro
A folia entre Jerônimo e Castro chama atenção por acontecer poucos meses após um pequeno bate-boca público entre os dois. Em novembro do ano passado, após a megaoperação no Rio que terminou com a morte de mais de 120 pessoas, o governador da Bahia criticou a ação policial organizada pelo governo estadual do Rio
“Vivenciamos um fato, muito difícil para entender o que significa o real papel do Estado. Não é papel do Estado matar, e nunca será. O Estado tem uma responsabilidade muito maior do que fazer homens e mulheres transformados em sangue”, disse o político do PT, na época. As declarações não foram muito bem recebidas por Castro, que retrucou o “amigo” para defender a operação.
“Não custa lembrar que a polícia que mais mata em todo o Brasil é a da Bahia. Acredito que o governador tenha sido mal assessorado para dizer o que disse”, disse o governador do Rio em uma entrevista à revista Veja. Nenhum dos dois tocou no assunto do desentendimento durante a reunião de carnaval na Bahia.

