O deputado Chico Machado (SDD) não é o único incomodado com a obrigatoriedade de declarar seu voto na primeira eleição indireta da história da Assembleia do Rio (Alerj). Como castigo pelo protesto feito ao microfone na semana passada, Chico perdeu o lugar na poderosa Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) — e o voto aberto, incluído no substitutivo, foi aprovado pelo plenário nesta quarta-feira (11). Mas continua deixando ressabiados outros nobres que habitam a casa legislativa do Largo da Carioca.
À boca miúda, claro.
O projeto original com as regras para a eleição — elaborado por Luiz Paulo (PSD), um dos deputados mais antigos da casa — previa o voto fechado (quando não aparece em quem cada parlamentar cravou o sim, só o resultado). Mas não é o que preferem os mandachuvas da ala governista da política fluminense.
A alteração do texto foi proposta no parecer do presidente da CCJ e líder do governo, Rodrigo Amorim (União), e aprovada na comissão — e, em seguida, pelo conjunto dos deputados.
A preocupação é que voto na eleição indireta possa provocar retaliações na outra, a de outubro
Com o voto aberto, cada deputado terá que registrar o seu escolhido.
A questão é que não votar como quer o cacique do partido, bem, não costuma dar boa coisa na política. Ainda mais em ano eleitoral, quando estão em jogo recursos para a campanha à reeleição dos deputados, tempo de TV, cargos no governo e uma obrinha aqui, outra ali, para alegrar o coração do eleitor.
“Por simetria, o voto deveria ser como na eleição direta: garantido pelo sigilo”, disse um dos nobres.
Mas, diante da inevitabilidade do rolo compressor, a eleição já ganhou um apelido nos bastidores da Alerj: o “Sincerão do BBB”, o famoso jogo da discórdia.

