Ao deixar de lado o aspecto religioso e desmistificar a figura de Maria de Nazaré, mãe de Jesus, o espetáculo “Em Nome da Mãe” aborda a jornada íntima de uma jovem, pobre, não casada — e grávida — que sofreu todos os preconceitos de uma sociedade conservadora, patriarcal e machista.
“Em Nome da Mãe” estreou no Rio, em 2024, no Teatro Adolpho Bloch, e agora volta à casa para uma curta temporada, de 10 de abril a 04 de maio. O espetáculo teve sessões lotadas no ano passado, e também recebeu cinco indicações no prestigioso Festival Internacional do Teatro de Angra (Fita), conquistando dois prêmios: Melhor atriz e Categoria especial.
Em formato de monólogo, apresenta a personagem antes de se tornar santa, como todos a conhecem na história milenar, escrita por homens, na Bíblia. Ela ganha voz própria e coloca em evidência sua dimensão, não apenas humana, mas também feminina, relatando sua coragem e incertezas, as perseguições, os constrangimentos diante de intrigas e acusações, seus medos e sonhos.
A peça foi idealizada pela atriz e protagonista, Suzana Nascimento, que construiu uma dramaturgia inédita, aprofundando o olhar para o feminino e para a atualidade, tendo como base a obra homônima do premiado autor italiano Erri de Luca. A direção é de Miwa Yanagizawa.
Durante a nova temporada da peça, o público poderá conferir também a exposição “No princípio era a mulher”, no foyer do teatro, na qual Suzana apresenta seus poéticos bordados em folhas de árvore, recolhidas pela atriz em diferentes cidades, e outros materiais que ganham novo significado ao dialogar com a temática do espetáculo.
São cerca de 12 obras (grande parte inéditas), criadas especialmente para a mostra. As obras, que mesclam arte, poesia visual, afeto, memória, ancestralidade e natureza, fazem parte do projeto Botica de Histórias, outra façanha da multiartista. A peça será apresentada todas as quintas, sextas e sábados às 20h, e aos domingos às 17h.