A Prefeitura do Rio autorizou um chamamento público de R$ 13,1 milhões para contratar uma organização encarregada de mapear os terreiros de religiões de matriz africana na cidade. O projeto tem duração prevista de dois anos e custo anual de R$ 6,55 milhões, conforme publicado no Diário Oficial pela Casa Civil.
O mapeamento é apresentado como base para políticas públicas voltadas ao combate à intolerância religiosa e ao reconhecimento dos povos de terreiro no Rio.
E a opção de trabalhar com o terceiro setor — em vez de equipes próprias do município — já gerou barulho na Câmara de Vereadores. Um requerimento de informações já pede acesso às mais de 800 páginas do processo que embasou o chamamento público.
Antes mesmo de sair do papel, mapeamento de terreiros vira alvo de questionamento em ano eleitoral
O pedido foi apresentado pela vereadora Alana Passos (PL) — que entrou na vaga de Carlos Bolsonaro (PL) — e cobra explicações sobre os critérios usados para contratar uma organização e não usar funcionários próprios. Ela questiona, inclusive, o motivo do mapeamento não ser realizado pelo Instituto Pereira Passos, que já atua na produção de dados territoriais da cidade.
A vereadora também quer saber porque o projeto está sendo executado em 2026, ano eleitoral. No documento, ela pede esclarecimentos sobre os mecanismos de controle dos gastos e as medidas adotadas para evitar irregularidades durante o período.
A Casa Civil terá que encaminhar à Câmara o plano de trabalho, os estudos técnicos e os pareceres que fundamentaram a opção pela execução indireta do serviço.

COM FÁBIO MARTINS

