A Secretaria municipal de Integridade e Transparência determinou a não renovação dos convênios da prefeitura com creches ligadas à vereadora Gigi Castilho, do Republicanos. A Creche Escola Machado e a Deus é Fiel, em Sepetiba, são investigadas por graves irregularidades e foram notificadas por publicação na edição desta segunda-feira (24) do Diário Oficial.
No último dia 4, a vereadora, seu marido e parentes foram alvos de operação de busca e apreensão da Polícia Civil, após denúncias e reportagens que mostraram o desvio de recursos públicos. O caso também é alvo de investigação do Ministério Público e do Tribunal de Contas do Município.
Nos bastidores, especula-se que novas medidas deverão ser tomadas pela Justiça, diante do farto material apreendido na operação.
Segundo denúncias, foram contratadas padarias fantasmas
Em 2019, Gigi Castilho fundou, com o marido, Luciano, as creches comunitárias Deus é Fiel e a Creche Escola Machado. Elas já teriam recebido, desde 2019, cerca de R$ 65 milhões em contratos firmados com a Prefeitura do Rio, e são suspeitas de terem contratado serviços com padarias “fantasmas”. Há suspeitas de que algumas destas empresas tenham sido usadas no desvio de quase R$ 1,7 milhão.
Luciano Castilho, e a filha do casal Andreza dos Santos Adão também foram alvos da operação do início do mês. Andreza é dona da Padaria e Mercearia Impacto, que recebeu R$ 97,5 mil por serviços de panificação e depósito às creches em 2022 e 2023.
Outros parentes de Gigi Castilho estavam entre os alvos
Eles não seriam os únicos beneficiados. De acordo com as investigações, as creches pagaram R$ 1,7 milhão, entre 2022 e 2023, a empresas pertencentes a parentes e pessoas próximas a Gigi Castilho. As unidades também são alvos de busca e apreensão.
No endereço da padaria de Andreza, em Santa Cruz, repórteres da TV Globo encontraram, em junho, uma vila de casas onde moradores afirmaram desconhecer a existência do estabelecimento. A filha de Gigi Castilho também assumiu, em agosto de 2022, a presidência da Creche Escola Machado — que contratou a padaria quando ela ainda não ocupava o cargo.
A Santos Júnior Confecção e Costura, de Flávio Celso dos Santos Júnior, sobrinho do marido de Gigi, recebeu R$ 123,8 mil para confeccionar roupas de balé. O endereço da empresa, em Sepetiba, corresponde a uma residência do investigado.
Já a Coutinho Confecções, de Valmir Coutinho de Lima — apontado como amigo e ex-cabo eleitoral da vereadora — recebeu R$ 475,6 mil das creches para fabricar uniformes.
A empresa está registrada no mesmo endereço da confecção do sobrinho de Luciano Castilho, onde moradores disseram não conhecer nenhuma das duas.
Nove empresas são investigadas; seis encerraram as atividades depois de receberem os pagamentos
Pelo menos nove empresas emitiram notas fiscais para as creches Deus é Fiel e Machado. Seis delas já encerraram as atividades após receberem pagamentos que, somados, passam de R$ 1,7 milhão.
As creches de Gigi Castilho são associações privadas sem fins lucrativos e recebem recursos da Prefeitura do Rio para atender a alunos da rede municipal. Desde 2019, elas já receberam R$ 64,2 milhões da Secretaria Municipal de Educação e atualmente atendem mais de duas mil crianças.
O que diz Gigi Castilho
A assessoria da vereadora enviou uma nota, com o posicionamento da parlamentar. Eis a íntegra:
“Respeitamos a decisão da Prefeitura do Rio relativa à não renovação dos convênios com as creches mencionadas.
Reiteramos que a vereadora não possui qualquer vínculo executivo, administrativo ou financeiro com essas unidades, cuja gestão é realizada por associações privadas, e que sempre atuou exclusivamente na área pedagógica da Creche Deus é Fiel. As unidades atendem a mais de duas mil crianças, prestando serviço essencial a famílias da região.
É importante esclarecer que informações que circulam sobre supostos desvios ou participação da parlamentar serão devidamente esclarecidas no âmbito jurídico”.



Como é difícil conquistar um convênio sério com a Prefeitura ou com o Governo do Estado.
É um processo longo, rigoroso, cheio de exigências — justamente porque o objetivo é garantir qualidade e responsabilidade no atendimento à população, especialmente aos mais vulneráveis.
E é exatamente por isso que, nos dias de hoje, é INACEITÁVEL ainda existirem instituições que usam de artifícios, de malversação, desviando recursos públicos, roubando o que pertence ao pobre, ao menos favorecido, ao cidadão que depende desse serviço.
Eu não estou aqui acusando instituição A ou B.
Estou registrando um princípio: não é admissível, sob nenhuma circunstância, desviar dinheiro destinado ao atendimento de crianças, idosos, famílias ou qualquer política pública.
Roubo em convênio — especialmente convênio de creche — é uma das práticas mais vergonhosas que alguém pode cometer.
O que deve acontecer?
➡️ Cancelamento imediato do convênio.
➡️ Investigação rigorosa.
➡️ Responsabilização.
➡️ Cadeia.
Porque, sinceramente, todas as sanções ainda são poucas para quem rouba dinheiro público.
E lembrem-se: quando uma instituição comete esse tipo de crime, ela não prejudica apenas o poder público — prejudica servidores de carreira que trabalham corretamente, prejudica famílias que precisam, prejudica toda uma rede de pessoas que se dedicam com honestidade.
Por isso, deixo aqui meu apoio total e irrestrito aos órgãos de investigação e fiscalização que identificaram tamanha fraude.
Que todas as medidas necessárias sejam tomadas, todas as punições aplicadas, e que esse tipo de gente seja definitivamente expulsa da gestão pública, seja parlamentar, instituição, igreja ou qualquer entidade que se aproveite do dinheiro do povo.
O dinheiro público é sagrado.
E quem rouba do povo deve responder até o fim.
Atuo como Assistente Social em uma Instituição Social sem Fins Lucrativos que atende Pessoas em Situação de Rua e Usuários de Substâncias Psicoativas e nunca recebemos um centavo sequer da Prefeitura realizarmos as atividades.
Não conseguimos um real sequer da Prefeitura para nada, aí uma pessoa vem roubando de forma reiterada dinheiro público e nada acontece. A única coisa que vão fazer é cancelar o Convênio sem pensar nas centenas de crianças e famílias vulneráveis que precisam do espaço.
Ela e todos os demais devem pagar? Sim, com toda certeza, mas também precisam pensar nas crianças e famílias que vão ficar desassistidas. É lamentável tudo isso, roubar de quem mais precisa do um serviço que deveria ter uma função social seria e comprometida com os valores humanos, éticos e morais.
Olha quanto dinheiro foi dado através desse convênio, o pior de tudo é sabermos que há outras por aí na mesma situação. Recebendo dinheiro público sem atuar e sem prestar contas de forma transparente e comprometida com os serviços que são prestados.
A Instituição que atuo como AS voluntária é toda correta, o Presidente da Instituição não aceita nada que seja errado por ser um homem ético e com valorosa de vida que foram construidos ao longo de sua trajetória, mas não consegue um convênio, não consegue um recurso para ajudar nas ações que são desenvolvidas na Instituição.
Isso que é o mais triste quando vejo uma reportagem como essa, sinto nojo e raiva quando leio algo desse tipo na internet. Roubaram pra caramba, roubaram demais e ainda vão sair sem pagar por nada, como tudo no Brasil termina em pizza.
Sou mãe de um aluno da Deus é fiel, e é repugnante termos que estar passando por isso por egoísmo e ganância dessas pessoas. Eu e muitas mães seremos prejudicadas por pessoas que só pensam no próprio bolso! Empatia zero! E as profissionais dali que conseguem dar o máximo com o mínimo, pq as creches são de alto padrão de qualidade, mesmo com tudo isso, elas estão também desesperadas. Muitas tbm são mães que precisam levar o sustento para casa e ficarão com uma mão na frente e outra atrás. Terá um impacto negativo enorme, pq é muita criança pra ser remanejada e pouca creche na região para atender a demanda. Muito triste isso tudo. Eu estou aflita pelo que vai acontecer com eles, mas os responsáveis por tudo isso tem que ser criminalizados mesmo, tem que responder por seus atos. Não podem deixar que passemos por todo impacto que vai ter e eles saiam ilesos!
Só cancelar é pouco, que respondam criminalmente e se faça a devolução do dinheiro imediatamente, para ser disponibilizado para quem quer fazer o correto.
Quer parceria, procura um político que você consegue.
Não esqueça, vai ter que dividir os valores com o político.
Trabalhei 24 anos na vida pública, sem ser funcionário.
Entrei pobre e saí pobre.
De cabeça erguida.
Ainda me chamavam de bobo da corte.