Dos quase R$ 3 milhões registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para pesquisas eleitorais de 2026 no Estado do Rio, cerca de 80% foram declarados como recursos dos próprios institutos. Exceções envolvem partidos políticos, veículos de imprensa, banco e empresas privadas.
À medida que as eleições de 2026 se aproximam, pesquisas de intenção de voto passaram a ocupar espaço central no debate político fluminense. Mas uma pergunta raramente recebe a mesma atenção dedicada aos números divulgados: quem financia essas pesquisas?
Um levantamento realizado com base nos registros públicos do Sistema de Registro de Pesquisas Eleitorais (PesqEle), do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revela que a maior parte das pesquisas registradas para o Estado do Rio foi declarada como financiada pelos próprios institutos responsáveis por sua realização.
Ao todo, foram analisados 29 registros de pesquisas eleitorais referentes aos cargos de governador, senador, deputado federal e deputado estadual.
A maioria foi registrada como “recursos próprios”
Dos 29 levantamentos analisados:
- 22 pesquisas (75,9%) foram declaradas como realizadas com recursos próprios dos institutos.
- 7 pesquisas (24,1%) tiveram contratação e financiamento por terceiros.
Em outras palavras, três em cada quatro pesquisas registradas informam que o próprio instituto arcou com os custos do levantamento.
Embora essa possibilidade esteja prevista na legislação eleitoral e seja regularmente utilizada pelo mercado, o volume observado chama atenção pelo peso financeiro envolvido.
Quase R$ 3 milhões declarados
Somando os valores informados ao TSE, o conjunto das pesquisas analisadas movimenta aproximadamente R$ 2,88 milhões.
Desse total, cerca de R$ 2,3 milhões correspondem a pesquisas declaradas como financiadas pelos próprios institutos, representando aproximadamente 80% do valor financeiro registrado.
O restante refere-se a levantamentos contratados por agentes externos.
Variação em valores e abrangência nas pesquisas eleitorais
Além disso, o levantamento identificou significativa variação tanto nos investimentos realizados quanto no porte das amostras utilizadas pelos institutos de pesquisa. Entre os registros analisados, os custos declarados variam de R$ 15 mil a R$ 205.008,84, refletindo diferenças de abrangência territorial, metodologia de coleta e número de entrevistas realizadas.
Da mesma forma, o tamanho das amostras apresentou ampla variação, com pesquisas envolvendo de 800 a 14 mil entrevistados. Enquanto levantamentos de menor porte foram destinados, em geral, ao acompanhamento de cenários específicos, as pesquisas com maior número de entrevistas buscaram oferecer estimativas com menor margem de erro e maior precisão estatística, especialmente aquelas de abrangência estadual que contemplaram simultaneamente os cargos de governador, senador, deputado federal e deputado estadual.
Essas diferenças metodológicas são relevantes para contextualizar os custos declarados e a robustez estatística de cada estudo registrado no Tribunal Superior Eleitoral.”
Vetor Arrow lidera em investimento declarado
Entre os institutos, o maior volume financeiro registrado pertence à Vetor Arrow Instituto de Pesquisa e Opinião. Foram identificadas diversas pesquisas estaduais registradas pelo instituto, totalizando aproximadamente R$ 1,49 milhão, todas declaradas como realizadas com recursos próprios.
Na sequência aparecem:
- Instituto Veritá — cerca de R$ 625 mil;
- Quaest — aproximadamente R$ 205 mil;
- Prefab Future — cerca de R$ 230 mil;
- Paraná Pesquisas — aproximadamente R$ 135 mil;
- Real Time Big Data — R$ 80 mil;
- 100 Cidades — R$ 80 mil;
- Agora Pesquisa — R$ 20 mil;
- GERP — R$ 15 mil.
Os outros financiadores - As exceções identificadas no levantamento apresentam perfis bastante distintos. Entre os contratantes informados ao TSE estão:
- O Banco Genial, que contratou pesquisa da Quaest;
- O Partido Republicanos, responsável pelo financiamento de pesquisa realizada pela Prefab Future;
- Os veículos de comunicação “Diário do Rio” e “O Dia”, que também aparecem como contratantes de pesquisas;
- Empresas privadas, como a Futura Consultoria e Assessoria Ltda.
Esses registros mostram que, embora exista participação de partidos, imprensa e empresas privadas no financiamento das pesquisas, ela representa parcela minoritária do universo analisado.
O que significa declarar ‘recursos próprios’
No sistema do TSE, o campo “Pesquisa é realizada com recursos próprios?” informa quem suporta financeiramente o levantamento. Quando o instituto responde afirmativamente, declara que não houve contratação por cliente externo para custear aquela pesquisa.
Isso não significa, necessariamente, que a pesquisa não possua finalidade comercial ou estratégica. Institutos frequentemente realizam levantamentos por iniciativa própria para divulgar resultados, fortalecer sua presença no mercado, produzir conteúdo de interesse público ou posteriormente comercializar relatórios mais detalhados.
A legislação eleitoral permite essa modalidade, desde que todas as informações obrigatórias sejam registradas perante a Justiça Eleitoral.
Transparência permite acompanhar o mercado
O banco de dados do TSE oferece um nível elevado de transparência sobre o mercado de pesquisas eleitorais. Além dos resultados divulgados posteriormente pelos institutos, os registros públicos permitem conhecer quem contratou a pesquisa; quem pagou pelo levantamento; o valor declarado; a metodologia utilizada; o tamanho da amostra; a margem de erro; o plano amostral; e o período de realização.
Essas informações permitem que pesquisadores, jornalistas, partidos políticos e cidadãos acompanhem não apenas os números das pesquisas, mas também sua estrutura de financiamento.
O retrato de 2026 no Rio
O levantamento indica um cenário em que os próprios institutos assumem papel predominante no financiamento das pesquisas eleitorais registradas para o Estado do Rio de Janeiro.
Do ponto de vista quantitativo, aproximadamente 76% dos registros foram declarados como custeados pelos próprios institutos. Sob a ótica financeira, essa participação alcança cerca de 80% do valor total informado ao TSE.
Os dados, por si só, não indicam qualquer irregularidade, uma vez que todas essa modalidade de financiamento é admitida pela legislação eleitoral quando devidamente registrada. Mas oferecem, contudo, um retrato da estrutura de financiamento das pesquisas eleitorais no Rio de Janeiro em 2026 e reforçam a importância da transparência proporcionada pelo sistema de registro do Tribunal Superior Eleitoral.
Metodologia
Este levantamento foi elaborado a partir de consulta direta ao Sistema de Registro de Pesquisas Eleitorais (PesqEle), plataforma oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) destinada ao registro e à divulgação das pesquisas eleitorais realizadas no Brasil.
O sistema reúne, para cada levantamento registrado, informações como contratante, financiador, instituto responsável, valor declarado, metodologia empregada, tamanho da amostra, período de coleta, estatístico responsável e demais documentos exigidos pela legislação eleitoral.
Foram analisadas todas as pesquisas registradas para o Estado do Rio de Janeiro referentes às Eleições Gerais de 2026 disponíveis no sistema no momento da coleta, abrangendo os cargos de governador, senador, deputado federal e deputado estadual.
Para cada registro foram extraídas e consolidadas as seguintes informações:
- número de identificação da pesquisa;
- instituto responsável;
- contratante;
- pagante do trabalho;
- valor declarado;
- indicação de financiamento com recursos próprios ou de terceiros;
- período de realização da pesquisa;
- tamanho da amostra;
- metodologia de coleta.
As informações foram organizadas em banco de dados próprio para possibilitar a comparação entre institutos, a identificação das fontes de financiamento e a consolidação dos valores registrados junto ao TSE. O estudo possui caráter descritivo, utilizando exclusivamente dados públicos disponibilizados pela Justiça Eleitoral, sem qualquer alteração ou tratamento dos resultados das pesquisas de intenção de voto.
Fonte oficial dos dados
Sistema de Registro de Pesquisas Eleitorais (PesqEle) – Tribunal Superior Eleitoral
ou, pelo portal do TSE:

