A Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, assim como todos os espaços políticos no Brasil, tem um histórico de pouca diversidade. Desde 1975, quando a cidade ganhou o desenho atual após a fusão dos estados do Rio e da Guanabara, 330 pessoas diferentes ocuparam as cadeiras do Palácio Pedro Ernesto: 286 homens e 44 mulheres.
A disparidade é tão grande que, se tentássemos montar um plenário apenas com todas que já foram vereadoras, ainda sobrariam 7 cadeiras vazias para completar as 51 vagas.
Enquanto isso, o número de homens que já passaram pela Câmara é quase seis vezes maior que a quantidade de vagas para a casa.
Para a presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara, vereadora Helena Vieira (PSD), ampliar a presença feminina no Poder Legislativo é fundamental para que mais experiências e demandas da sociedade estejam representadas:
“Eu acredito profundamente na força transformadora da mulher na política. Quando uma mulher ocupa um espaço, ela não chega sozinha: leva consigo as vozes, as lutas e as experiências de tantas outras mulheres que, todos os dias, conciliam o cuidado com a família, o trabalho e o enfrentamento das dificuldades da vida”.
A gangorra da representatividade feminina na Câmara de Vereadores
A trajetória das mulheres na Câmara do Rio não segue uma linha de crescimento constante. Pelo contrário, o que se vê nas últimas cinco décadas é um movimento de gangorra.
Na 1ª Legislatura (1977-1982), logo após a fusão, o plenário contava com apenas duas vozes femininas: Bambina Bucci (MDB) e Daisy Lúcidi (Arena).
O cenário só mudou décadas depois, atingindo o seu ponto mais alto entre 2009 e 2012. Na 8ª Legislatura, a casa chegou a ter 13 vereadoras simultaneamente, um recorde histórico. No entanto, o avanço não se sustentou e a representatividade sofreu um recuo nas duas eleições seguintes, quando o número caiu para 8 — retornando ao mesmo patamar que a cidade já havia registrado no ano 2000.

Entre a renovação e o peso da maioria masculina
Hoje, a Câmara conta com 12 mulheres. Mesmo com um dos números mais altos em 50 anos, os dados mostram que a manutenção dessa bancada feminina depende da permanência de nomes veteranos, como Rosa Fernandes (PSD) e Vera Lins (Progressistas), que acumulam sucessivos mandatos.
Apesar da renovação trazida por novas parlamentares, as mulheres como um todo ocupam apenas 23,5% do plenário.
Ao longo das últimas legislaturas, foram registrados apenas 97 mandatos femininos frente a 515 masculinos. Na prática, isso significa que, de cada seis cadeiras da Câmara do Rio, cinco foram ocupadas por homens.

