Os investimentos feitos pelo Rioprevidência voltaram a ser investigados no Rio. Dessa vez, o Ministério Público do Rio (MPRJ) apura aplicações feitas pelo fundo previdenciário em instituições não credenciadas, mesmo após a polêmica envolvendo aportes suspeitos no Banco Master.
Os investimentos investigados foram realizados na última semana de dezembro em 2025 — quando a autarquia estadual já estava sendo investigada pelo MPRJ por conta das aplicações no Master. Segundo o órgão, o fundo dos servidores estaduais aplicou mais de R$ 100 milhões nos fundos Linea, R CAP Soberano e R CAP Alocação. Nenhum deles era credenciado.
Poucos dias antes da aplicação, o próprio MPRJ já tinha emitido uma recomendação para que o Rioprevidência protegesse o patrimônio previdenciário estadual e adotasse medida para evitar possíveis perdas no patrimônio dos servidores. A recomendação foi emitida após a liquidação extrajudicial do Banco Master — instituição na qual o Rioprevidência já tinha investido pelo menos R$ 970 milhões.
MPRJ deu prazo de cinco dias para que Rioprevidência explique novos aportes
Nesta terça (07), o MPRJ deu um prazo de cinco dias para que o Rioprevidência envie estudos técnicos, atas de reuniões e relatórios de procedimentos administrativos para explicar por que as aplicações foram feitas mesmo diante da recomendação de cautela em investimentos.
Além disso, a promotoria também pediu informações atualizadas sobre a situação atual de empréstimos consignados realizados por meio do Credcesta, instituição ligada ao Banco Master. O objetivo é verificar se existem novas estruturas de crédito vinculadas a garantias do Rioprevidência ou de agentes sob intervenção, o que pode colocar em risco os beneficiários.
Caso novos contratos de crédito com essas características sejam identificados, o MPRJ requer a interrupção imediata das operações.
A investigação acontece de forma paralela às apurações da Polícia Federal (PF), que investiga, desde o começo do ano, nove aplicações feitas pelo Rioprevidência em títulos de alto risco do Banco Master. Segundo as investigações, os investimentos não possuíam cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e ignoraram critérios básicos de segurança. A instituição é responsável por cuidar dos recursos de pelo menos 235 mil servidores aposentados e pensionistas.

