A volta do Canecão, em Botafogo, traz não apenas a retomada de um espaço histórico da música brasileira, mas também um novo desafio para a mobilidade na Zona Sul do Rio. O complexo que está sendo construído no terreno da UFRJ, prevê receber até 1,5 milhão de pessoas por ano e terá apenas 50 vagas de estacionamento — todas destinadas a artistas, staff e operação.
Diante da restrição de vagas e das limitações urbanísticas da região, o consórcio Bonus-Klefer afirma que está desenhando, em conjunto com a CET-Rio, uma operação específica de chegada e saída do público em dias de evento. O plano inclui pontos fixos de embarque e desembarque para táxis e carros de aplicativo fora das vias principais, além do uso de uma grande esplanada em frente ao prédio para organizar o fluxo de pedestres.
A estratégia busca evitar impactos mais severos no trânsito de Botafogo e reduzir reflexos nas vias de ligação com a Urca e a Praia Vermelha — uma das áreas mais reguladas da cidade, com restrições ambientais, gabarito limitado a 20 metros de altura e ruas estreitas no entorno do Morro da Viúva.
Museu da Música amplia circulação fora dos shows
Além dos shows, o projeto prevê a implantação de um Museu da Música e de outras áreas culturais abertas ao público, o que deve gerar circulação também fora do horário noturno e dos dias de grandes eventos. Esse fluxo contínuo é um dos pontos considerados no desenho da operação de mobilidade do complexo.
Segundo o CEO do consórcio, Andre Torós, também estão avançadas negociações para o uso do estacionamento do Shopping RioSul, que opera em horários complementares aos eventos noturnos. A proposta é ampliar a oferta de vagas sem estimular o uso do carro particular no entorno imediato do Canecão. Ainda de acordo com o empresário, o objetivo é organizar o fluxo fora do eixo viário principal e reduzir o impacto direto sobre os moradores. .
Investimento de R$ 270 milhões e previsão de entrega no fim de 2027
O novo complexo está sendo erguido no mesmo terreno de 15 mil metros quadrados onde funcionava a antiga casa de shows, fechada desde 2010 e já demolida. O projeto prevê investimento total de R$ 270 milhões, com concessão de 30 anos, e tem previsão de inauguração no fim de 2027.
Além da grande sala de espetáculos, com capacidade para até 6 mil pessoas em pé, o espaço contará com áreas de exposição, microteatro, estúdios de criação, eventos corporativos e um bosque aberto ao público. Como contrapartida, o consórcio também será responsável pela construção de um prédio acadêmico e de um restaurante universitário para a UFRJ, ambos no campus da Praia Vermelha, na Urca.
Ao fim da concessão, todo o complexo retorna para a universidade. Até lá, a operação de trânsito e a absorção do fluxo diário e noturno de pessoas em Botafogo e no entorno da Urca devem ser determinantes para o funcionamento do novo Canecão.

