A Construtora Lytorânea, a mesma que toca a obra da prometida Rua da Cerveja no Centro do Rio, anunciou vagas de emprego nos classificados de um jornal de grande circulação. O detalhe é o público-alvo: a empresa está contratando pessoas com deficiência (PCDs) e “mulheres vítimas de feminicídio”.
Sim. Vítimas de feminicídio.
No anúncio, a construtora afirma que a iniciativa faz parte de uma política de inclusão social e trabalhista. O termo utilizado, no entanto, tem definição objetiva: feminicídio é o assassinato de uma mulher por razões de gênero — crime que resulta em morte.
Como essas “mulheres vítimas de feminicídio” trabalhariam na obra? O texto publicado não traz explicação adicional nem detalha se a referência seria a outro perfil, como vítimas de violência doméstica ou familiares de mulheres que foram assassinadas.

A Lytorânea integra o consórcio responsável pela revitalização da Rua da Carioca, projeto de R$ 2,9 milhões que promete transformar o endereço no primeiro polo cervejeiro da cidade. A obra já foi alvo de notificação da Subsecretaria de Infraestrutura, que determinou reforço de materiais e mão de obra para evitar atrasos no cronograma.
Em recuperação judicial, a empresa também recebeu notificações recentes por intervenções em Campo Grande, onde a prefeitura apontou baixa produtividade e problemas na execução de serviços.
COM FÁBIO MARTINS

