O governo do estado enxugou de forma significativa os cargos comissionados entre fevereiro e julho de 2026. O corte, entretanto, não produziu uma redução no valor total da folha de pagamentos registrada pelo Sistema Integrado de Gestão de Recursos Humanos, o SIGRH.
Em fevereiro, quando o Caderno de Recursos Humanos identificava Cláudio Castro (PL) como governador, havia 14.318 vínculos classificados especificamente como “Cargo Comissão”. Em julho, já com o desembargador Ricardo Couto como governador em exercício, esse número havia caído para 11.146.
Foram 3.172 vínculos comissionados a menos, uma redução de 22,2%.
O efeito aparece também no dinheiro gasto com esse grupo. O dispêndio mensal com cargos em comissão caiu de R$ 82,51 milhões para R$ 65,77 milhões. São R$ 16,74 milhões a menos por mês, uma retração de 20,3%.
A remuneração média dos comissionados, porém, aumentou: passou de R$ 5.762,73 para R$ 5.900,41, alta de aproximadamente 2,4%. Os próprios cadernos mostram, portanto, que houve uma economia objetiva e mensurável na parcela da folha destinada aos cargos comissionados.
Corte dos comissionados foi maior que a queda total de ativos
O dado chama ainda mais atenção quando comparado ao total de vínculos ativos. Entre fevereiro e julho, o número total de vínculos ativos caiu de 182.064 para 179.004: redução líquida de 3.060.
Só os cargos em comissão diminuíram em 3.172.
Ou seja, o corte de comissionados atingiu 112 vínculos a mais do que toda a redução líquida dos ativos. Na prática, isso significa que, enquanto os cargos em comissão recuavam, outras modalidades de vínculo tiveram crescimento líquido e compensaram parte da queda.
Em fevereiro, os cargos em comissão representavam 7,9% dos vínculos ativos. Em julho, eram 6,2%.
A economia dos comissionados não apareceu no total da folha
Mas, quando se olha a folha como um todo, o movimento foi no sentido contrário. Em fevereiro, o poder executivo registrava 423.991 vínculos, somados ativos, aposentados e pensionistas, com gasto mensal de R$ 3,302 bilhões.
Em julho, havia 420.313 vínculos — 3.678 a menos — mas o gasto alcançou R$ 3,471 bilhões.
Ou seja: mesmo com uma redução de 0,87% no número total de vínculos, a conta mensal aumentou R$ 169,02 milhões, ou 5,12%.

O retrato, portanto, tem dois movimentos distintos: houve corte expressivo e redução efetiva de despesas nos cargos comissionados, mas não houve economia no total da folha observada pelo Sistema Integrado de Gestão de Recursos Humanos.
Quase todo o aumento veio em julho
A série mensal ajuda a explicar essa aparente contradição.
Em junho, o gasto total era de aproximadamente R$ 3,308 bilhões. Em julho, passou para R$ 3,471 bilhões, um aumento de cerca de R$ 163,4 milhões em apenas um mês.
Entre os ativos, a mudança foi ainda mais evidente. O estado passou de 178.991 vínculos em junho para 179.004 em julho, diferença de apenas 13 vínculos. O dispêndio, porém, saltou de aproximadamente R$ 1,590 bilhão para R$ 1,687 bilhão.
A principal explicação é a entrada na competência de julho da parcela de 5,62% da recomposição salarial do funcionalismo estadual, que atingiu ativos, aposentados e pensionistas. Assim, parte substancial da economia obtida com a redução de vínculos — inclusive os comissionados — foi absorvida pelo aumento da remuneração dos vínculos que permaneceram na folha.
Menos vínculos não significa necessariamente menos pessoas
Há ainda uma ressalva metodológica importante.
O Caderno de Recursos Humanos contabiliza vínculos funcionais, e não necessariamente pessoas distintas. Um mesmo servidor pode possuir mais de um vínculo legalmente acumulável. Por isso, a queda de 3.060 vínculos ativos não permite afirmar que exatamente 3.060 pessoas deixaram o serviço público.
Também se trata de uma variação líquida. Se milhares de vínculos foram encerrados e outros milhares criados no mesmo período, o Caderno mostra apenas a diferença final entre os dois estoques.
O dado seguro é que havia 3.060 vínculos ativos a menos em julho do que em fevereiro — e, dentro desse universo, 3.172 cargos em comissão haviam desaparecido da folha.
Folha do SIGRH não é a despesa de pessoal da LRF
Outro cuidado é necessário: os R$ 3,471 bilhões de julho não correspondem à Despesa Total com Pessoal calculada pela Lei de Responsabilidade Fiscal. O Caderno chama o indicador de dispêndio e trabalha com as remunerações processadas na folha abrangida pelo SIGRH.
A metodologia informa que não entram nesse cálculo, entre outras parcelas, 13º salário, férias e pagamentos atrasados. Também não se trata da folha de todos os poderes e órgãos independentes do estado.
A despesa de pessoal da LRF é mais ampla: engloba remunerações, encargos sociais e contribuições patronais e é apurada em uma janela de 12 meses para comparação com a Receita Corrente Líquida.
Por isso, o dado do Caderno deve ser tratado como folha remuneratória mensal abrangida pelo SIGRH, e não como o custo total de pessoal do Estado.
Quatro estruturas ficam fora do SIGRH
A própria metodologia dos Cadernos registra ainda que não constam atualmente no sistema:
* Central Logística;
* Cehab;
* Procuradoria-Geral do Estado;
* Defensoria Pública-Geral do Estado.
Além disso, o documento de julho ressalva que exonerações e ingressos ocorridos ao longo do mês podem não aparecer quando os respectivos vínculos não tiveram valores integrais naquela folha.
O que os números permitem afirmar
A conclusão correta, portanto, precisa separar as duas coisas.
Nos cargos comissionados, houve corte e houve economia: foram 3.172 vínculos a menos, queda de 22,2%, e redução de R$ 16,74 milhões no gasto mensal (ou 20,3%).
Na folha total observada pelo SIGRH, não houve economia: mesmo com 3.678 vínculos a menos no conjunto, o dispêndio mensal ficou R$ 169,02 milhões maior.
Isso não significa que o corte dos vínculos tenha sido financeiramente inútil. Sem a redução dos comissionados e de outros vínculos, a folha de julho poderia ter sido ainda maior. Os Cadernos, porém, não permitem calcular esse cenário hipotético.
O que os documentos comprovam é que o governo do estado enxugou fortemente os cargos em comissão, mas essa economia específica não foi suficiente para fazer a folha total cair.
COM FÁBIO MARTINS
Comentários 3
Bom dia, prefeito doido a cidade vive de turismo, ele quer tirar os turistas, quem vai injetar dinheiro na cidade?
Cabo frio tem receita própria para se manter?
Quem apoia isso são os aposentados que não precisam trabalhar, mas quem vive do turismo, q é a principal fonte de renda da cidade, ele ao invés de criar estruturas para receber mais turistas ele quer afastar, doido ele
Grande prefeito, essa turma de bate e volta não contribui com o turismo só serve para deixar lixo nas nossas praias, temos que ter turismo de qualidade do contrario é enxugar gelo.
Parabéns para o prefeito Serginho. Fiquei animado com seu início de gestão. Cheguei a antecipar o pagamento do IPTU para dar uma força.