O bloco Bangalafumenga anunciou na última terça-feira (25), o cancelamento do desfile de 2025. O coletivo de organizadores publicou um manifesto nas redes sociais, criticando o atual modelo de gestão do carnaval de rua do Rio. Fundado em 1998, o “Banga”, teve público estimado de mais de 100 mil foliões em 2024. O cortejo desfilaria no próximo domingo (2), no Aterro do Flamengo.
“Em decisão tomada na noite desta segunda-feira, dia 24 de fevereiro, junto com os integrantes da nossa bateria, decidimos que não iremos simplesmente seguir o fluxo, nos manter em um piloto automático e seguir dentro de um modelo de carnaval de rua na nossa cidade, que há anos se mostra asfixiante para os blocos, os verdadeiros realizadores e donos da festa”, diz um trecho do texto.
O Banga voltará as ruas em breve, em outro formato
Ainda segundo o comunicado, o Bangalafumenga voltará às ruas do Rio no carnaval de 2026. O cancelamento deste ano, para os organizadores, será uma forma de “desviar a rota” e “apontar uma nova direção”, para enfrentar o que o bloco considera um modelo de gestão “asfixiante, injusto e insustentável”.
“O modelo de apropriação do carnaval pelo poder público e revenda, sem necessidade, para iniciativa privada tem obrigado novas marcas interessadas no carnaval a desistirem do patrocínio aos blocos e optarem por investir no patrocínio institucional da cidade, para redução de riscos de multas e apreensões” diz o texto.
Burocracia esfria a folia de blocos
Desde a pandemia, blocos tradicionais do carnaval carioca deixaram as ruas, do Escravos da Mauá ao Bloco de Segunda. E 2025 marca a despedida de mais dois nomes de peso: Imprensa que eu Gamo, criado há mais de 30 anos, assim como o Suvaco do Cristo, criado em 1985, anunciaram que vão sair de cena, com o primeiro parando ainda neste carnaval e o segundo em 2026.
Um dos fatores que contribui para o fim dos blocos tradicionais, é, segundo a presidente da Associação Independente dos Blocos de Carnaval de Rua (Sebastiana) e fundadora do Imprensa que eu Gamo, Rita Fernandes, a burocracia do poder público e os custos envolvidos. A crítica dos organizadores se dá ao número de documentos e a enorme lista de exigências, que, segundo os representantes, não são centralizadas.
No centro do imbróglio entre os blocos de rua e o poder público, está a Riotur. E a dificuldade de relacionamento entre os organizadores e a empresa. Atualmente, para colocar o bloco na rua, é preciso conseguir autorizações de diferentes órgãos públicos, como Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e CET-Rio.
Blocos de carnaval ganham apoio do município e do estado a partir de 2026
No entanto, o impasse dá sinais de encontrar uma resolução. A Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) aprovou na última terça-feira (25), o projeto de lei que institui o Programa de Incentivo aos Blocos de Carnaval de Rua. Segundo o texto, a finalidade do programa é apoiar e impulsionar as bandas, cortejos e cordões nos municípios do estado.
De acordo com o projeto, os recursos destinados ao programa poderão vir do Fundo Estadual da Cultura, da Lei Estadual de Incentivo à Cultura, de doações, acordos e convênios, operações de crédito ou dotações orçamentárias. A seleção dos contemplados será feita através de um edital anual.
A Riotur, em portaria publicada no último dia 10 de fevereiro, também estabeleceu que, a partir de 2026, os blocos de rua vão receber incentivo cultural da prefeitura. Outra deliberação, também publicada no D.O., autoriza os blocos oficiais a busquem patrocínio para seus desfiles. A medida regulamenta a exibição das marcas durante o desfile — o que é essencial no relacionamento com os patrocinadores.