Se os ecos das Diretorias Regionais Metropolitanas de Educação, carinhosamente apelidadas de “metros”, já assombravam os corredores da Assembleia Legislativa (Alerj), a prisão de Thiago Rangel (Avante), nesta terça-feira (05), elevou o patamar da sensação que domina o Largo da Carioca: agora é pânico.
É que outros deputados estaduais — de direita e de esquerda — seguiram (ao menos parte) do roteiro que levou Rangel à cadeia.
A Polícia Federal prendeu o deputado por suspeita de envolvimento com fraudes na Secretaria Estadual de Educação (Seeduc). Segundo os agentes, o esquema envolvia o direcionamento de contratos — assinados, em tese, para reformas e serviços em escolas da rede estadual no interior.
Mas, de fato, de acordo com as investigações, o objetivo era desviar recursos. Políticos fluminenses apostam que, muitas vezes, para custear ilegalmente as campanhas à reeleição para a Alerj.
As peças-chave na cadeia de crimes seriam, justamente, as Diretorias Regionais Metropolitanas de Educação — e as denúncias indicam que mais de R$ 1 bilhão em repasses descentralizados foram utilizados de forma irregular.
A secretaria foi administrada, durante longos anos, por pessoas indicadas pelo ex-presidente da Assembleia Rodrigo Bacellar (União). Mas o poder foi dividido, em instâncias médias, com deputados da casa. Alguns dos nobres parlamentares estaduais indicaram os diretores das “metros” nos seus redutos eleitorais.
A questão é que os deputados já sabiam que diretores de escolas e das regionais estavam sendo chamados a depor no Ministério Público. E que a prisão de Rangel foi decretada logo depois que a informação começou a circular pelo prédio do antigo Banerj.
Daí que o clima, na Assembleia, tem sido mais pesado que chumbo.

