A procuradora de Macaé Renata Pinto Rodrigues Pimentel Ribeiro foi afastada pela prefeitura por 30 dias depois que fez publicações sugerindo que empresas não contratassem “artistas, pobres nordestinos e mineiros”. A suspensão foi publicada no Diário Oficial nesta quinta-feira (29). A Prefeitura de Macaé informou que a servidora vai responder a um processo administrativo.
“Petistas não vão trabalhar pra mim, não vou fazer mais política pública pra poder ajudar esse tipo de gente. Aconselho a todos os empresários, microempresários a não contratarem artistas, pobres nordestinos e mineiros”, disse em trecho da postagem.
Ofensa, soberba e erro de português feião: ‘Mineiros, saem (sic) de Macaé’
Os mineiros parecem ter irritado particularmente a procuradora, que até tropeçou no português quando escreveu:
“Mineiros, saem (sic) de Macaé! Já basta o Espírito Santo que vocês invadem feito tralha”, expressou.
Ela fez questão de ressaltar que ganha bem:
“Eu e meus filhos vão ter tudo do bom e do melhor”.
Polícia Civil abre inquérito, e OAB manifesta repúdio
E as consequências não ficarão apenas na área administrativa. A Polícia Civil abriu um inquérito para investigar o caso. A Ordem dos Advogados do Brasil no município também repudiou as declarações, afirmando que “a liberdade de expressão não autoriza discriminação, hostilidade ou exclusão de pessoas em razão da origem, condição social, orientação sexual ou posicionamento político”.
Depois que o caso se tornou público, começaram a circular postagens antigas na rede social X. feitas pela procuradora. Num texto postado no ano passado, ela escreveu que metralharia os esquerdistas se pudesse:
“Não tenho palavras para descrever estes nazistas de esquerda! Se eu pudesse metralhava a todos sem distinção! Estamos em guerra mesmo! Morte aos esquerdistas”, tuitou.
O PT de Macaé divulgou nota, assinada pelo presidente do partido, professor Paulo Henrique, dizendo que as “declarações ultrapassam o campo da disputa política e atingem a dignidade de pessoas que vivem e trabalham na cidade”.
A Prefeitura de Macaé também emitiu nota, dizendo que “repudia veementemente o teor das declarações”, que classificou de ofensivas e discriminatórias.
Depois da repercussão, procuradora diz que estava ‘de cabeça quente’
A procuradora disse ao portal g1 que as publicações estavam em perfis privados e alegou ter sido traída por pessoas conhecidas, já que as capturas de tela foram divulgadas.
“Eu tava de cabeça quente, realmente, quando eu mandei os nordestinos. Os mineiros, inclusive, meu pai é mineiro, tá? Meu pai falecido, era mineiro, meu avô é mineiro. Tava de cabeça quente, como milhares de pessoas fizeram isso. É uma loucura, tô sendo ameaçada de morte”, disse Renata Pimentel Ribeiro.
Em relação a atender petistas, nordestinos e mineiros no serviço público, ela tentou se retratar:
“Eu, como procuradora, continuaria fazendo minhas políticas públicas como eu sempre fiz, agindo com imparcialidade, com integralidade dos meus atos. Agora, eu falei: ‘Não dê emprego’. Pô, quando a gente tá de cabeça quente, a gente fala umas coisas que não fala, né? Você tá entendendo? A gente bota filho de castigo, a gente faz milhões de coisas”.