Laranja madura na beira da estrada… Assim como na letra do samba, os contêineres de lixo da Comlurb, conhecidos como “laranjões”, continuam dividindo opiniões no Rio. Enquanto moradores e comerciantes reclamam do impacto visual, do mau cheiro, do descarte irregular de resíduos e de problemas de conservação, a Companhia Municipal de Limpeza Urbana decidiu ampliar a presença dos equipamentos nas ruas da cidade.
A Comlurb oficializou um investimento de R$ 73.282.840,50 para a compra de mais cinco mil contêineres híbridos de alta capacidade, para até 1.200 litros. O extrato do termo aditivo nº 032/2026 ao contrato nº 2505600, firmado com a empresa Força Ambiental Ltda., foi publicado no Diário Oficial do Município.
O aditivo representa um acréscimo de 17,81% sobre o valor inicial do contrato e amplia a distribuição dos equipamentos utilizados na coleta de resíduos domiciliares em diferentes regiões da cidade.
Desde que começaram a ser instalados em larga escala, os “laranjões” passaram a ser alvo de críticas. Entre as principais reclamações estão o aspecto visual dos equipamentos — especialmente em áreas turísticas como a orla da Zona Sul —, o acúmulo de lixo e entulho ao redor dos contêineres, tampas frequentemente abertas, mau cheiro, vazamento de chorume e a proliferação de pragas. Também há queixas sobre unidades instaladas em calçadas estreitas, dificultando a circulação de pedestres.
O debate chegou à própria prefeitura. A Comlurb estuda mudanças no padrão dos equipamentos, incluindo a substituição da cor laranja pelo cinza em áreas de maior valor paisagístico e a adoção de modelos inspirados em sistemas utilizados em cidades do exterior, buscando reduzir o impacto visual e aprimorar a operação da coleta.
Mesmo assim, vai pôr mais cinco mil unidades do equipamento na rua.
COM FÁBIO MARTINS


