A Justiça Militar aceitou a denúncia do Ministério Público do Rio (MPRJ) contra o coronel do Corpo de Bombeiros Lauro Botto pelo crime de assédio sexual. O oficial chegou a ser alvo de uma ordem de prisão da corporação pelo caso, mas foi liberado da punição por decisão liminar.
Agora, ele é réu também na Justiça. O militar nega as acusações.
De acordo com o Ministério Público, o crime teria acontecido entre 2024 e 2025. O coronel é acusado de, durante esse período, usar uma rede social para enviar mensagens inadequadas a uma subordinada com o intuito de obter vantagem sexual.
Ainda segundo o órgão, as abordagens na internet foram insistentes e aconteceram ao longo de meses. Em alguns episódios, Botto teria usado, de forma explícita, sua condição de superior hierárquico para exercer pressão.
Bombeiro teve porte de arma suspenso
A pedido do GAESP, a Justiça Militar determinou uma série de medidas cautelares contra o coronel. Lauro Botto teve o porte de arma de fogo suspenso e está proibido de entrar no quartel do comando-geral do Corpo de Bombeiros.
Ele também não pode manter contato com a vítima e as testemunhas, nem fazer referências públicas às pessoas envolvidas no processo.
Lauro Botto alega não ter tido contato com oficiais que relataram assédio
Na semana passada, o militar chegou a cumprir dois dias de prisão por conta de uma punição interna, mas obteve a liberdade por meio de um habeas corpus que revogou a medida.
Em postagem anterior nas redes sociais, o coronel alegou que as acusações não procedem.
“Foi aberto um procedimento sob a alegação de que havia indícios de prática de assédio sexual ou moral com pessoas com quem eu sequer estive presente. Não tive contato pessoal, individual, com nenhuma dessas pessoas”, afirmou o bombeiro. Ele ainda não comentou a denúncia da Justiça Militar.
Lauro Botto ficou conhecido por sua atuação durante a greve dos bombeiros no Rio em 2011, época em que também foi preso. Ele exerceu o cargo de subsecretário estadual de Defesa Civil até ser exonerado em outubro do ano passado, quando iniciaram os procedimentos disciplinares internos envolvendo as denúncias de assédio.

