Nesta quinta-feira (28), o Tribunal do Júri do caso Henry Borel ouviu o depoimento de Kaylane Pereira, que é filha de uma ex-namorada de Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, que é réu pela morte do menino. A jovem, que é maior de idade atualmente, acusa o ex-vereador de agredi-la fisicamente na infância.
A mãe de Kaylane e Jairinho namoraram quando ela tinha sete anos. Em seu relato à Justiça, a jovem disse que o então padrasto costumava desferir socos em sua barriga e apertar seus braços com força em diferentes ocasiões. Ela sofreu lesões e chegou a precisar de gesso por conta dos ferimentos. As agressões costumavam acontecer em um local que ela hoje identifica como um motel.
“Ele passava lá em casa, falava que ia me levar para comer, e a gente ia para um lugar. Hoje eu acredito que seja um motel, porque a gente não ia para restaurante”, disse a jovem. Nesse espaço, ele já chegou a tentar afoga-la em uma piscina no quarto, inclusive com o uso dos pés. Jairinho costumava dizer para Kaylane falar à mãe que sofreu as agressões em aulas de jiu-jitsu.
‘Dizia que, se eu não existisse, ia ser muito melhor’
Além da violência física, a jovem relata ter passado por episódios de violência psicológica, cometidos por Jairinho, enquanto ainda era criança.
“Ele dizia que, se eu não existisse, ia ser muito melhor. Que eu atrapalhava ela, que se fosse só ele e a minha mãe a vida dela ia ser muito melhor”, disse Kaylane ao júri.
Ela disse ter se sentido “muito culpada” quando soube da morte de Henry Borel por acreditar que deveria ter denunciado o caso antes. Ela disse, no entanto, que demorou para fazer as acusações pois temia retaliações do ex-vereador.
Julgamento de Jairinho e Monique continua
A análise do caso segue no Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ). Além do depoimento de Kaylane, a sessão desta quinta (28) foi marcada pelo retorno do advogado principal de Jairinho, Fabiano Tadeu Lopes, que tinha se afastado dos trabalhos no plenário após sofrer um infarto no último fim de semana.
O processo analisa a responsabilidade de Jairinho e da mãe da vítima, Monique Medeiros, no homicídio de Henry Borel, ocorrido em março de 2021.

