Em resposta apresentada ao Supremo Tribunal Federal (STF), a defesa do desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto alegou fragilidade da investigação conduzida pela Polícia Federal (PF) que embasa as acusações contra o réu, relativas a vazamento de informações sobre operação contra o deputado Thiego Raimundo dos Santos, o TH Joias. O principal ponto levantado é a inexistência de um suposto encontro entre o deputado estadual Rodrigo Bacellar e o desembargador na noite de 2 de setembro de 2025, em uma churrascaria no Aterro do Flamengo. De acordo com a defesa, o cruzamento de dados das antenas de telefonia celular indica que ambos não estiveram no local naquele horário.
No documento, de 74 páginas, os advogados alegam que a hipótese apresentada pela PF não se sustenta e que não há elementos que comprovem que o magistrado tenha vazado informações sobre a operação. A resposta encaminhada ao STF também indica contradições em outros trechos do relatório policial. Uma delas seria a afirmação dos investigadores de que o vazamento sobre a operação contra TH Joias teria ocorrido por volta das 22h do dia 2 de setembro. No entanto, de acordo com a própria PF, o investigado já teria conhecimento da ação na tarde daquele dia, quando foi filmado retirando pertences da casa onde morava.
Outro questionamento diz respeito ao número de testemunhas ouvidas. Ainda segundo a defesa, apenas três das oito pessoas que estavam com o desembargador no restaurante Nido, em Ipanema, foram ouvidas, apesar de a PF sustentar que, naquele mesmo momento, ele estaria em outro local.
Macário Júdice está preso na Cadeia Pública Constantino Cokotós, em Niterói, desde 16 de dezembro do ano passado. O desembargador foi afastado de suas funções no Tribunal Regional Federal da 2ª Região por determinação do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso.

