O prédio do antigo Banerj nem é daquelas construções que atravessam os séculos — e guardam os espíritos dos antigos habitantes. Mas a sede da Assembleia Legislativa tem mais fantasmas que muitos dos casarões históricos do Centro do Rio. Os mais recentes respondem pelo nome de Diretorias Regionais Metropolitanas de Educação, carinhosamente apelidadas de “Metros”.
A Secretaria Estadual de Educação foi administrada, durante longos anos, por indicados pelo ex-presidente da Assembleia Rodrigo Bacellar (União). E o poder foi dividido, em instâncias médias, com deputados da Casa. Não foram poucos os nobres parlamentares estaduais que indicaram os diretores das Metros nos seus redutos eleitorais.
Pois agora, em 2026, investigações em andamento apontam para um suposto esquema de fraudes, superfaturamento e uso de empresas de fachada em obras de escolas estaduais. E peças-chave na cadeia de crimes seriam, justamente, as Diretorias Regionais Metropolitanas de Educação. As denúncias indicam que mais de R$ 1 bilhão em repasses descentralizados foram utilizados de forma irregular.
Diretores de escolas e das Metros têm sido chamados para depor no Ministério Público.
E seus padrinhos vagam pelos corredores do Largo da Carioca, insones e assombrados.


Deveria ter sido investigado o ex secretário de Educação do Sérgio Cabral, que fechou quase 50 escolas, o Wilson Risolia. Saiu do governo Cabral para a Fundação Roberto Marinho, ou seja, pode ter sido indicação do Grupo Globo para o aliado Sérgio Cabral. Esse secretário do Eduardo Paes, Ferreirinha, recebeu doação do Lemann, Arminio Fraga e Nizan Guanaes. É um jovem elitista que nunca pisou na grande maioria das escolas municipais.
Tomara que o telefone do ex presidente da Alerj revele os detalhes ocultos dessa fraude escancarada de licitações para o Min Moraes. Os recursos da descentralização de crédito deveriam ser residuais, em pequenos valores, mas a mente maquiavélica dos gestores encontrou uma forma de fraudar a regra das licitações. Causa ainda mais estranheza o número excessivo de emendas impositivas em 2026 com esse tipo de destinação. É só consultar o site de transparência do estado e ver o excesso de emendas destinadas diretamente à colégios estaduais. Tecnicamente, quando se impõe uma transparência financeira direta a um colégio (que não é uma unidade orçamentária ou executora), estará sendo realizada uma descentralização de crédito, onde o recurso é transferido diretamente para uma conta sob responsabilidade do diretor do colégio. Esse diretor não tem obrigação de fazer licitação e isso é uma fraude. Algum repórter poderia investigar isso.