A derrubada de 101 árvores na área de um condomínio no distrito de Itaipava, em Petrópolis, virou motivo de polêmica entre moradores da região. No início da semana, a construtora Nove Ponto Três começou a remover a vegetação, que fica dentro da Área de Proteção Ambiental (APA) da Região Serrana. A intervenção, que tem alvará da prefeitura, acontece para a construção de novos imóveis no espaço.
O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), responsável pela APA, autorizou a ação. Mesmo assim, moradores acreditam que o processo pode afetar a fauna local, que inclui espécies como micos, tucanos, araras e quatis.
“Estamos assistindo à destruição de um patrimônio natural, um absurdo que os órgãos competentes nada façam”, afirmou um morador do local, que preferiu não se identificar.
Segundo a Prefeitura de Petrópolis, a derrubada das árvores já está autorizada desde 2024, ainda durante o mandato de Rubens Bomtempo (PSB), mas só começou a ser executada recentemente pela construtora.
A gestão atual, comandada por Hingo Hammes (PP), destacou que a obra acontece em uma “área antropizada” — ou seja, que já teve suas características originais de vegetação, solo e relevo modificadas pela ação humana.

Segundo Prefeitura de Petrópolis, construtora assinou termo para replantio de árvores
Mesmo assim, para viabilizar a nova obra, a prefeitura exigiu, da construtora, a assinatura de um Termo de Compensação Ambiental, com regras de reflorestamento. Sob supervisão técnica, os responsáveis pela obra terão que realizar o replantio de espécies nativas em uma proporção de, no mínimo, três vezes o número de árvores derrubadas.
A Secretaria de Meio Ambiente vai monitorar o crescimento dessas mudas pelo período de quatro anos. O acordo prevê que até 50% da compensação possam ser convertidos em serviços e projetos de educação ambiental executados diretamente pela pasta municipal.
De acordo com o ICMBio, o condomínio tem a obrigação de manter 70% de sua área total preservada sob a forma de Reserva Florestal. O instituto reforçou que a supressão atual respeita as condicionantes estabelecidas no processo de licenciamento de longo prazo do empreendimento. A fiscalização municipal disse que atua no local para garantir o cumprimento dos estudos de impacto e do manejo da fauna.


