A política do Rio passou parte da noite de quarta (18) e da manhã de quinta-feira (19) reorganizando seus exércitos depois da decisão do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), mudando as regras das eleições indiretas para o governo do estado. Como quem estava no governo não pode mais ser candidato, os novos aspiras terão que surgir do próprio parlamento — ou da vida partidária.
E já se desenham as novas chapas.
Pela oposição, o veterano André Corrêa, que é do PP mas está com um pezinho no PSD do prefeito Eduardo Paes, está sendo convocado a disputar o mandato-tampão de governador até dezembro. O moço desconversa, diz que não está postulando o cargo e trabalha pela reeleição. Mas que a turma já anota seu nome como titular, não há dúvidas.
“Pela minha experiência, o candidato será o presidente Guilherme Delaroli. O processo natural vai levar ao nome dele”, diz Corrêa, fugindo da polêmica.
Já o senador Carlos Portinho (PL), que teve a legenda negada por seu partido para tentar a reeleição, pode representar a turma ligada ao Palácio Guanabara. Estes são os primeiros nomes surgidos pós-furacão Fux.
Mas muita coisa ainda pode surgir debaixo dos escombros.
Empoderados por Fux, deputados já pensam em eleger novo presidente para a Assembleia
Mas não é só o comando do Palácio Guanabara que está em jogo na política fluminense.
A turma já acredita que será realizada uma nova eleição para a presidência da Assembleia Legislativa — seja pela renúncia do presidente afastado, Rodrigo Bacellar (União), seja em consequência de uma rebelião na casa e a decretação da vacância do cargo para a escolha de um novo comandante. O atual mandatário, o vice que assumiu a presidência, Guilherme Delaroli (PL), não anda bem na foto com seus pares.
Se houver nova eleição, uma coisa é certa: o pré-candidato ao governo do estado pelo PL, Douglas Ruas, será o candidato governista. Pela oposição, desenha-se a possibilidade de lançamento de Rosenverg Reis (MDB), irmão do presidente do partido, Washington Reis, e da já anunciada vice na chapa de Paes, Jane Reix, hoje o primeiro-secretário da casa.
Eleição da presidência da Alerj antes da indireta para o governo
No Largo da Carioca já se discute até estratégia cronológica: eleger o novo presidente da Assembleia antes da escolha do governador-tampão. Para o ungido pela casa comandar o processo eleitoral indireto.
E que ninguém duvide do poder da turma: a decisão do ministro Fux de estabeler o voto secreto para a escolha do próximo governador deu todo o poder aos deputados. Nem o governo, nem os presidentes de partido agora podem usar o famoso “voto de cabresto” para controlar o eleitorado.

