O Diário Oficial do último dia 12 trouxe o carimbo que faltava para tirar do papel uma das promessas mais ambiciosas do “Plano Verão” do agora ex-prefeito Eduardo Paes (PSD). A Secretaria Municipal de Fazenda publicou o extrato do contrato de financiamento de R$ 350 milhões junto à Caixa Econômica Federal para as obras de prevenção de enchentes na Bacia do Rio Acari, na Zona Norte.
O montante faz parte de um investimento total de R$ 368,4 milhões — sendo R$ 18,4 milhões de contrapartida da prefeitura — dentro do eixo de Cidades Sustentáveis do Novo PAC.
Assinado no último dia 11 de março, o contrato detalha o fôlego financeiro da operação. O acordo prevê 12 meses de carência, o que permite o início das obras sem impacto imediato no caixa do município. O desembolso dos recursos será feito ao longo de 48 meses, enquanto o prazo total para pagamento da dívida é de 20 anos, após o período de carência.
Anunciada com pompa no fim de 2025 por Paes e pelo então vice-prefeito (hoje dono da caneta) Eduardo Cavaliere como uma intervenção de R$ 430 milhões para enfrentar as históricas enchentes da região, a obra é tratada na prefeitura como uma das principais apostas de infraestrutura urbana.
A intervenção deve beneficiar moradores de nove bairros da Zona Norte, entre eles Fazenda Botafogo e Jardim América. A meta é realizar a dragagem e o desassoreamento de um trecho de quase quatro quilômetros do Rio Acari, reduzindo as enchentes que, a cada verão, deixam famílias desabrigadas na região.
Segundo o secretário municipal de Infraestrutura, Wanderson Santos, a Bacia do Acari ocupa cerca de 10% do território da cidade, mas concentra aproximadamente 20% da população carioca.
Com o financiamento garantido, a expectativa é que as máquinas comecem a operar ainda no primeiro semestre de 2026. A primeira etapa das intervenções deve se concentrar no encontro do Rio Acari com o Rio Pavuna.
Além da engenharia pesada, a operação também terá um desafio ambiental: a prefeitura estima retirar cerca de 300 mil toneladas de lixo acumuladas no leito do rio durante as obras.
COM FÁBIO MARTINS


