Desde que o prefeito Pereira Passos promoveu a primeira grande intervenção na cidade, com ímpetos sanitários e o objetivo de construir o Porto Moderno — inaugurado oficialmente em 20 de julho de 1910 — o carioca ouve falar na grande reformulação da antiga região do cais.
Mais de um século depois, e muitas mudanças pelo caminho, inclusive com a drástica redução do uso de navios como meio de transporte, só agora a Zona Portuária vai ganhar novos contornos — e, finalmente, ser integrada à cidade, com ares de bairro residencial.
Em 2025, foram entregues 2.725 apartamentos na região, para ficar só nos empreendimentos da Cury Construtora, a gigante que mais levantou condomínios nos bairros de Saúde, Gamboa e Santo Cristo. Outras 2.841 chaves chegam às mãos dos donos em 2026. E a maioria, de quem pretende morar. Pelo menos, é o que indicam as fontes de financiamento.
“Dos nossos apartamentos, 70% dos compradores usaram o Fundo de Garantia, o FGTS. Isso é muito significativo. E prova que não são só os investidores que estão de olho no Porto Maravilha”, conta Leonardo Mesquita, vice-presidente da Cury.
Pelos cálculos do mercado, cerca de 2.500 pessoas já estão morando nos novos prédios.
“Este vai ser um ano decisivo para o Porto Maravilha”, conta o secretário municipal de Desenvolvimento Urbano, Gustavo Guerrante. “Dia desses, observei: já se vê muito apartamento ocupado na área, com a luz acesa. Para mim, isso é importantíssimo”.

E, como diz o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-Rio), Claudio Hermolin, é um caminho sem volta.
“O ciclo médio de um empreendimento no mercado imobiliário é de cinco anos e dois meses. As entregas do Porto Maravilha começam agora, com os empreendimentos lançados cerca de quatro, cinco anos atrás. E é um ciclo que não termina mais, porque começamos a ter no Porto Maravilha empreendimentos em lançamento, em obra e em entrega”, festeja Hermolin. “Como é também normal no mercado imobiliário, após as primeiras entregas, inicia-se imediatamente o ciclo das lojas, dos serviços, para atender a população que passa a habitar naquele local. O projeto já é um sucesso, prova disso é que nos últimos três anos, o bairro do Porto Maravilha teve o maior volume de lançamentos e vendas na cidade, ultrapassando os que tradicionalmente ocupavam o primeiro lugar desse ranking como Barra, Recreio e Jacarepaguá”.

Guerrante concorda que a ocupação dos imóveis traz, junto, o comércio.
“Já temos uma grande procura. Os investidores já se posicionam em pontos para o comércio, com hortifruti, supermercado, padaria, farmácia… Grandes redes”, conta Guerrante.
Dois empreendimentos residenciais já foram projetados com lojas no térreo. O Pátio Nazaré e o Epicentro, chegarão com pequenos shoppings centers já instalados. Uma grande rede de supermercados está a um passo de concluir a negociação por terreno no Santo Cristo.

Novos moradores à espera das padarias, supermercados e farmácias
Quem já está morando no famoso Porto Maravilha espera, ansiosamente, o comércio que está para chegar.
“É o que a gente sente falta. Uma padaria, um supermercado por perto. Mas já está muito bom”, conta a auxiliar de enfermagem Alessandra Neves, uma ex-moradora do Méier que comprou um compacto na região e está toda prosa. “Estou mais perto do trabalho e o meu apartamento está todo bonitinho”.
A distância para o trabalho foi o atrativo para o diretor de Contabilidade Anderson Ribeiro.
“O VLT é o melhor sistema de transportes do mundo”, brinca o moço, que morava em Niterói e, como é bom de contas, sabe de cor a diferença entre levar mais de uma hora e meia para chegar no emprego e os atuais 20 a 30 minutos.
Implosão da Perimetral deu início ao projeto do Porto Maravilha
O prefeito Eduardo Paes (PSD) lançou oficialmente o projeto de reformulação do rebatizado Porto Maravilha, em 23 de junho de 2009. Com a primeira implosão, em 2013, foi abaixo o Elevado da Perimetral. Com um projeto arquitetônico arrojado, o antigo Palacete Dom João VI e uma rodoviária decadente viraram o Museu de Arte do Rio (MAR). Em 2015 foi inaugurado o Museu do Amanhã.
Mas nada disso faria do Porto um bairro, senão a chegada dos novos moradores. A construção de empreendimentos imobiliários patinou por muito tempo, mas, ao que tudo indica, engrenou.
“Vai ser bom quando todo mundo que comprou estiver morando. O bairro já começa a ter vida hoje, mas imagino quando a gente sair e ver mais crianças nas quadras, mais gente caminhando na rua. Já está bom, mas vai ficar muito melhor”, conta a aposentada Lúcia Costa, que se mudou para o Porto em dezembro, e já viu muitos caminhões de mudança chegando no condomínio depois do seu.


