O Rio voltou oficialmente ao modo forno: sensação térmica batendo na casa dos 45°C e aquele banho de mar que mistura lazer com sobrevivência. Não é exagero: o verão 2024/2025 já entrou para a história como o sexto mais quente no Brasil desde 1961, sendo 2024 o ano mais quente já registrado no país, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Dito isso, como vamos nos vestir sem derreter nos próximos meses e, de preferência, continuar estilosos na areia, no ônibus, na laje, no bar e no after?
A primeira mudança começa no tecido. Nada de camadas pesadas ou fibras de plástico, como o poliéster, que prendem o calor. O consultor carioca Caio Barros, diretor da Zeit Agency, destaca que o ‘salva‑calor’ da estação é a mistura de algodão com linho e tecidos inteligentes:
“É o natural com eficiência. O tecido mantém a textura rústica do linho, mas seca rápido e não pesa. Mas sem cara de roupa sintética.”
Para Milena Garcez, pesquisadora e fundadora da Orange 152 Trends, consultoria global de pesquisa em tendências, essa combinação vai além da estética: é sobrevivência.
“A tecnologia entra pelos tecidos e materiais adaptativos. O calor extremo exige, na hora de escolher o que vestir, tecidos que trabalhem junto com o corpo. Assim, linho, algodão e tramas abertas viram aliados reais”, diz.

Na cartela de cores, não existe polêmica: o Rio precisa dos dois lados — do básico ao vibrante — e tudo junto. Milena define isso como uma coesão para os ambientes plurais da cidade: tons neutros como areia, bege e off white são mais frescos e facilitam a construção de looks no calor, além de refletirem melhor a luz. Enquanto o ciano, rosa claro e amarelo aberto iluminam e dialogam com o espírito do Rio: energia, movimento e diversão.
“Os neutros equilibram. Os vibrantes contam quem somos”, pontua.
A silhueta do verão 2026 segue livre, leve, solta, mas não simplória. “Menos na forma, mais na técnica”, como define Caio. O “mais” aparece no toque: textura, fibras boas, caimento bem pensado. O artesanal, que é quase religião por aqui, volta com força, e Milena aponta amarrações, crochês, macramês e franjas como detalhes que contam história, sem pesar no calor.
Já as estampas vêm inteligentes: floral com poá, listras que lembram mar, degradês que imitam pôr do sol, florais botânicos, paisleys leves. Nada daquele tropical genérico. Aqui, cada peça parece parte de um álbum carioca, passando pelos prédios icônicos, praias, florestas e formas clássicas que viram desenhos cheios de expressão.

O brilho aparece sem culpa e sem calor embolotando. Milena explica:
“Brilho ventilado funciona: paetê fino, malha aberta, crochê com fio metálico. O glamour não precisa esperar a noite”.
E Caio complementa:
“É o brilho funcional: estético, leve e fresco”, a cara do réveillon, do carnaval e de qualquer segunda na Pedra do Sal.

Por fim, um soberano: o óculos de sol. Além de estilo, virou item de saúde. Lentes quentes (mel, laranja, âmbar, roxo), armações ampliadas e acessórios artesanais ganham força.
“Ele é, ao mesmo tempo, proteção vital e o acessório mais forte do verão. Colares de corda, peças trançadas, pingentes de elementos do mar e misturas de prata com dourado também vão compor o olhar do carioca em 26”, destaca a pesquisadora.



Adorei a matéria! Concordo que os óculos de sol estão com tudo! O Rio transmite esse lugar vibrante e cheio de energia proposto pela matéria.
amei a matéria! como roupas de fibras naturais costumam ser mais caras, uma boa dica é olhar a composição nas etiquetas em brechós. a qualidade das roupas antigamente era muito melhor, então costuma ser mais fácil garimpar algo de qualidade!
Linda matéria, segunda de série de sucesso. Rio inspira 🤍