O vereador Salvino Oliveira (PSD) veio a público, nesta segunda-feira (16), para rebater uma das acusações da Polícia Civil que motivaram sua prisão, relacionada a uma movimentação financeira considerada atípica de mais de R$ 100 mil em quatro meses. Segundo o parlamentar, o valor corresponde, na verdade, ao pagamento de um prêmio concedido pela Organização das Nações Unidas (ONU).
Salvino foi preso na última quarta-feira (11), durante uma operação policial que investigou o envolvimento de políticos e agentes públicos com o Comando Vermelho (CV). No entanto, ele deixou a Cadeia Pública José Frederico Marques dois dias depois, por determinação do Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ).
“Com informações inverídicas, o tal dinheiro, mais de R$ 100 mil que me acusam de ter recebido, é justamente a premiação da ONU que eu recebi por ter sido selecionado como jovem ativista global. E eu só fui selecionado justamente pelo trabalho que desenvolvi, mudando a vida de jovens de favelas e periferias do Rio por meio da tecnologia”, afirmou o vereador.
Salvino Oliveira já foi secretário municipal da Juventude
O prêmio foi concedido quando o parlamentar, ex-secretário municipal de Juventude, foi eleito Jovem Ativista Global na categoria Educação pela Young Activists Summit, parceira da ONU. O reconhecimento destacou sua atuação em prol do acesso à educação e da inclusão digital para jovens de periferia.
Em sua declaração, Salvino também voltou a rebater todas as acusações feitas pela Polícia Civil, incluindo a de que teria negociado quiosques na Gardênia Azul com traficantes da comunidade em troca de apoio para sua campanha nas eleições municipais de 2024.
‘Não tenho a menor ligação com o Comando Vermelho’
“Essa semana a minha vida virou de cabeça para baixo. Invadiram a minha casa, divulgaram imagens que não são verdadeiras, não encontraram absolutamente nada na minha casa. Não encontraram dinheiro, joias, blusa ou qualquer coisa do tipo, porque eu não tenho a menor ligação com o Comando Vermelho. Mas, ainda assim, eu passei três dias preso”, afirmou.
Natural da Cidade de Deus, ele afirmou ainda que a operação representa, na sua visão, uma perseguição política a líderes das favelas.
“Toda vez que surge uma liderança de favela e periferia, essa banda podre da política decide, de alguma maneira, silenciar. Lá atrás fizeram isso com a Marielle e agora tentam, de todo modo, acabar com a minha reputação. Mas eu queria dizer que vou continuar lutando pelas favelas e periferias, continuar lutando pelo que eu acredito”, finalizou o vereador.
O que disse o governo do estado
Em declaração oficial, o governo do estado rebateu as críticas à operação e informou que a investigação envolvendo Salvino não teve qualquer caráter político. Eis a nota na íntegra:
“A representação pela prisão foi feita em 1º de janeiro de 2026. O Ministério Público analisou e deu parecer favorável em 21 de janeiro de 2026. O Poder Judiciário autorizou os mandados em 27 de fevereiro de 2026. E os mandados foram expedidos em 3 de março de 2026. Ou seja, a análise da prisão passou por três esferas diferentes e independentes: Polícia Civil, MP e Judiciário. Não é decisão de governo, é decisão da Justiça. Se durante uma investigação aparecem provas de crime, a polícia faz o que a lei manda: investiga, pede a prisão à Justiça e prende.
O governo do estado estranha que o prefeito esteja adotando esse tipo de comportamento, tentando politizar uma investigação conduzida de forma totalmente legal. Ao fazer esse tipo de insinuação, acaba colocando sob questionamento não apenas o trabalho da Polícia Civil, mas também a atuação do Ministério Público e do Poder Judiciário.
A Polícia Civil atua de forma independente e tem como missão combater o crime organizado, inclusive quando há indícios de ligação entre agentes públicos e facções criminosas. Tentar transformar uma investigação séria em narrativa de perseguição política é uma tentativa inaceitável de desviar o foco de fatos graves, apurados pelas forças de segurança.”

