O PSD do prefeito Eduardo Paes protocolou nesta terça-feira (18) uma representação no Superior Tribunal de Justiça (STJ), alegando abuso de autoridade e denunciação caluniosa na prisão do vereador Salvino Oliveira. No documento, o partido solicita a abertura de uma investigação contra o governador Cláudio Castro (PL) e propõe, ainda, seu afastamento do Palácio Guanabara.
A representação foi assinada pelo deputado federal Pedro Paulo, presidente estadual do PSD. O partido também aponta supostas irregularidades do secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, e do delegado Pedro Cassundé, que comandou a operação que prendeu Salvino na última quarta-feira (11).
Segundo o PSD, a ação teria caráter político, utilizando o aparato policial para prisões seletivas e perseguição a adversários. O partido afirma ao STJ que a investigação contra o vereador não apresentava indícios claros de crime, que o sigilo foi violado e que Castro e Curi divulgaram informações nas redes sociais que anteciparam a atribuição de culpa ao parlamentar.
Ofensiva da base de Paes a Cláudio Castro
A representação marca mais um capítulo da ofensiva da base de Eduardo Paes contra o governo estadual. Pré-candidato ao Palácio Guanabara e principal adversário do grupo político de Castro, o prefeito carioca tem intensificado os ataques ao governador nas últimas semanas.
Salvino Oliveira foi preso durante uma operação da Polícia Civil que investigava o envolvimento de políticos e agentes públicos com o Comando Vermelho (CV). Dois dias depois, ele foi liberado por decisão do Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ), que concedeu habeas corpus.
O que disse o governo do estado
Em declaração oficial logo após a prisão, o governo do estado rebateu as críticas à operação e informou que a investigação envolvendo Salvino não teve qualquer caráter político. Eis a nota na íntegra:
“A representação pela prisão foi feita em 1º de janeiro de 2026. O Ministério Público analisou e deu parecer favorável em 21 de janeiro de 2026. O Poder Judiciário autorizou os mandados em 27 de fevereiro de 2026. E os mandados foram expedidos em 3 de março de 2026. Ou seja, a análise da prisão passou por três esferas diferentes e independentes: Polícia Civil, MP e Judiciário. Não é decisão de governo, é decisão da Justiça. Se durante uma investigação aparecem provas de crime, a polícia faz o que a lei manda: investiga, pede a prisão à Justiça e prende.
O governo do estado estranha que o prefeito esteja adotando esse tipo de comportamento, tentando politizar uma investigação conduzida de forma totalmente legal. Ao fazer esse tipo de insinuação, acaba colocando sob questionamento não apenas o trabalho da Polícia Civil, mas também a atuação do Ministério Público e do Poder Judiciário.
A Polícia Civil atua de forma independente e tem como missão combater o crime organizado, inclusive quando há indícios de ligação entre agentes públicos e facções criminosas. Tentar transformar uma investigação séria em narrativa de perseguição política é uma tentativa inaceitável de desviar o foco de fatos graves, apurados pelas forças de segurança.”
Com informações do jornal O Globo.

