O diretório estadual do PSD denunciou à Procuradoria-Geral da República (PGR) o que chamou de “uso vergonhoso das forças policiais como arma política” na prisão do vereador da sigla no Rio, Salvino Oliveira. O documento foi apresentado em Brasília, nesta sexta-feira (13), durante audiência com o procurador-geral Paulo Gonet.
De acordo com o deputado federal Pedro Paulo (PSD-RJ), presidente estadual do partido, a base do prefeito Eduardo Paes (PSD) não permanecerá calada “diante do desmonte das nossas instituições”.
“Brasília, hoje. Em audiência com o PGR Paulo Gonet, denunciamos o uso vergonhoso das forças policiais como arma política no Rio de Janeiro, como vimos no caso da prisão ilegal do vereador Salvino Oliveira. Não assistiremos calados ao desmonte das nossas instituições!”, escreveu em suas redes sociais.
Na audiência, estavam presentes o líder do governo Paes na Câmara do Rio, vereador Márcio Ribeiro (PSD); o deputado estadual Luiz Paulo (PSD); e os deputados federais do Rio Laura Carneiro (PSD), Renan Ferreirinha (PSD) e Otoni de Paula (MDB). Ferrerinha, contudo, está licenciado por estar à frente da Secretaria Municipal de Educação.
A prisão de Salvino Oliveira
O vereador foi preso na quarta-feira (11), durante uma operação da Polícia Civil que investiga o envolvimento de políticos e agentes públicos com o Comando Vermelho (CV). Segundo as autoridades, ele teria negociado quiosques na Gardênia Azul com traficantes da comunidade em troca de apoio para sua campanha nas eleições municipais de 2024.
Nesta sexta-feira (13), a Justiça do Rio aceitou o pedido de habeas corpus da defesa, e o vereador deixou o presídio José Frederico Marques, em Benfica. Ele responderá ao processo em liberdade, mas ficará proibido de se ausentar do estado do Rio por mais de 15 dias sem autorização e não poderá manter contato com outros investigados.
A investigação policial aponta ainda supostas movimentações financeiras atípicas do vereador, que somam mais de R$ 100 mil, incluindo 11 depósitos em dinheiro vivo. O esquema envolveria também um assessor do gabinete do parlamentar e sua esposa, ligados a uma empresa com movimentação de R$ 35 milhões em dois anos, atualmente investigada no processo.
O que diz o governo do estado
Em declaração oficial, o governo estadual rebateu as denúncias feitas pelo PSD e informou que a investigação envolvendo Salvino começou em 15 de outubro de 2024. Eis a nota na íntegra:
“A representação pela prisão foi feita em 1º de janeiro de 2026. O Ministério Público analisou e deu parecer favorável em 21 de janeiro de 2026. O Poder Judiciário autorizou os mandados em 27 de fevereiro de 2026. E os mandados foram expedidos em 3 de março de 2026. Ou seja, a análise da prisão passou por três esferas diferentes e independentes: Polícia Civil, MP e Judiciário. Não é decisão de governo, é decisão da Justiça. Se durante uma investigação aparecem provas de crime, a polícia faz o que a lei manda: investiga, pede a prisão à Justiça e prende.
O Governo do Estado estranha que o prefeito esteja adotando esse tipo de comportamento, tentando politizar uma investigação conduzida de forma totalmente legal. Ao fazer esse tipo de insinuação, acaba colocando sob questionamento não apenas o trabalho da Polícia Civil, mas também a atuação do Ministério Público e do Poder Judiciário.
A Polícia Civil atua de forma independente e tem como missão combater o crime organizado, inclusive quando há indícios de ligação entre agentes públicos e facções criminosas. Tentar transformar uma investigação séria em narrativa de perseguição política é uma tentativa inaceitável de desviar o foco de fatos graves, apurados pelas forças de segurança.”

