A Prefeitura do Rio suspendeu a concessão do Bosque da Barra e do Parque Chico Mendes. A decisão foi publicada nesta quinta-feira (2), dois meses após a secretaria municipal de Meio Ambiente lançar o edital de licitação para a gestão dos dois espaços verdes na Zona Sudoeste.
A suspensão foi publicada sem definição de nova data — “sine die”, termo usado para indicar paralisação por tempo indeterminado.
O processo previa a transferência da operação, manutenção e apoio à visitação à iniciativa privada por um período de 20 anos. A empresa vencedora seria definida com base no maior valor de outorga, com expectativa de mais de R$ 12 milhões em investimentos e cerca de R$ 101 milhões em benefícios econômicos ao longo do contrato.
Pelo cronograma inicial, os envelopes com as propostas seriam entregues em 19 de março, e o leilão ocorreria no dia 26, na sede da Companhia Carioca de Parcerias e Investimentos (CCPAR). O acesso aos parques continuaria gratuito, mas a concessionária poderia explorar serviços como lanchonetes, aluguel de equipamentos, lojas e atividades de ecoturismo.
Moradores afirmam que áreas na Barra e no Recreio foram abandonadas para favorecer a iniciativa privada
A suspensão ocorre em meio a críticas e mobilização de frequentadores e conselheiros das unidades contra o modelo de concessão proposto pela prefeitura, que temem a descaracterização dos espaços e de possível cobrança indireta pelo uso.
Integrante do Conselho do Bosque da Barra, Emanuel Alencar criticou a proposta nas redes sociais. Segundo ele, os parques precisam de mais investimento público, e não de concessão.
“As unidades, na Barra e no Recreio dos Bandeirantes, precisam voltar a ter investimentos públicos. A prefeitura tem ótimos gestores, que, por meio de parcerias, têm todas as condições de desenvolverem grandes projetos. O que não dá é para abandonar essas áreas e defender a concessão como única solução”, disse.

