O conflito entre os deputados federais Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) — líder do partido na Câmara — e Otoni de Paula — que está migrando do MDB para o PSD — , marcado por intensas disputas de liderança dentro da bancada evangélica, ganhou um novo capítulo. Dessa vez, a pauta gira em torno da eleição que levou a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) a ser a primeira transexual presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados.
Quatro dias depois, a eleição polêmica ainda deixa rastros: o líder do PL acusa o deputado evangélico de ter dado ‘voto decisivo’ em Hilton (PSOL).
O início da nova treta em solo evangélico começou nas redes sociais de Sóstenes, que publicou, no sábado (14), um vídeo em que a deputada federal Chris Tonietto (PL-RJ) aparece “esclarecendo como Otoni ajudou a eleger Erika Hilton (PSOL)”. Na legenda, o líder do PL na Câmara escreveu: “Erika Hilton é eleita presidente da Comissão em Defesa das mulheres com voto decisivo do “conservador” Otoni de Paula”.
Com 11 votos a favor e dez em branco, Erika Hilton passa a conduzir os trabalhos do colegiado, coordenando discussões legislativas e audiências públicas sobre temas ligados à pauta feminina dentro do parlamento.
“Primeiro ponto, que precisa ficar claro, que a vaga de fato para indicar a presidente seria do PSOL por uma questão de proporcionalidade partidária […] Segundo ponto, já que o pessoal indicou Erika Hilton, evidentemente, nós jamais aceitaríamos uma coisa dessa […] Só que, infelizmente, uma pessoa aí, que eu não vou dizer que foi desavisada, porque estava sabendo de tudo, acabou votando, ainda que votando contra Erika Hilton. Só que ajudou no quórum. E por ter ajudado no quórum, simplesmente perdemos a nossa estratégia”, disse Chris Tonietto em vídeo republicado por Sóstenes.
“Essa pessoa, infelizmente, é uma pessoa que se diz conservadora, que é o Otoni de Paula […] que foi determinante sim, como muitos estão dizendo e é verdade, para que o quórum fosse atingido. “, disse a deputada federal em mais um trecho divulgado pelo líder do PL na Câmara.

‘Em momento nenhum eu votei a favor de Erika Hilton […] essa turma me odeia’
Em resposta às inúmeras notícias vinculadas ao seu “voto decisivo” em Erika Hilton, o pastor da Assembleia de Deus, ex-vereador do Rio e atual deputado federal Otoni de Paula publicou um vídeo no qual afirma que tudo não passa de “fake news”.
“Você acha mesmo que eu ia votar em Erika Hilton para ser presidente da Comissão da Mulher? Pelo amor de Deus! Só me faltava essa. Mas o que se esperar quando você é perseguido pelos seus irmãos e pelo grupo que até ontem você pertenceu? Essa turma me odeia. E o que eles puderem inventar, eles vão inventar”, disse o deputado federal, que seguiu citando as informações que vem sendo atribuídas a ele.

“Deixa eu te explicar. Eu faço parte da Frente Parlamentar Evangélica. E nós nos organizamos para que os membros ou suplentes da Comissão da Mulher — e eu sou suplente da Comissão da Mulher — tentássemos impedir que a Erika Hilton se tornasse presidente da Comissão da Mulher. Da seguinte forma: ninguém dá presença para que não haja quórum. Mas teve quórum, então nós vamos votar em branco [… Fui chamado para presidir a sessão da Câmara […] e minha assessoria disse: ‘deputado, está na hora de votar’, e conforme combinado, eu votei em branco. Só que, na verdade, já era uma segunda votação. E nessa segunda votação, era para se abster. Era para tentar não dar quórum novamente, e eu não sabia”, explicou Otoni de Paula, que seguiu falando sobre a acusação. “A turma que não gosta de mim pegou isso para dizer que agora eu estou votando em Erika Hilton […]. Tem muita gente que não vai com a minha cara […] e como não pode me chamar de corrupto, tenta inventar um montão de história”, disse Otoni.

