A nova visita dos agentes da Polícia Federal ao apartamento do ex-governador Cláudio Castro (PL), na manhã desta terça-feira (26), só acontece por conta dos desdobramentos da investigação de outro nome da antiga gestão do governo do estado.
Segundo a PF, a nova etapa da “Operação Compliance Zero”, que cumpre buscas na casa de Castro, foi determinada com base em informações da “Operação Barco de Papel” — a mesma que terminou na prisão do ex-presidente do Rioprevidência Deivis Marcon Antunes.
A “Barco de Papel” foi deflagrada em janeiro e investigou os aportes suspeitos do Rioprevidência em letras financeiras de alto risco do Banco Master. Os investimentos apurados na época foram os feitos pela autarquia entre outubro de 2023 e julho de 2024, que totalizavam cerca de R$ 970 milhões,.
Já a operação desta terça (26) apura aplicações de R$ 2,01 bilhões, feitas a partir de julho de 2024, em fundos de investimentos do mesmo banco. Com isso, somando todos os valores investigados, a PF identificou que cerca de R$ 3 bilhões foram transferidos pelo governo Cláudio Castro a instituições ligadas ao Banco Master.
Operação anterior mirou diretores do Rioprevidência
A ação anterior teve diferentes etapas no primeiro trimestre deste ano e investigou, além de Deivis, outros nomes que comandavam o Rioprevidência na gestão anterior, como os ex-diretores de investimentos Eucherio Lerner Rodrigues e Pedro Pinheiro Guerra Leal.
Um dos motivos para a PF investigar os aportes da autarquia é o relato de que os investimentos foram feitos sem a aprovação formal do comitê de investimentos do fundo estadual. As letras financeiras que receberam verba do Rioprevidência já tinham sido apontadas como “de risco” pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ).
Além disso, segundo as investigações, esses investimentos não tinham cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e ignoraram critérios básicos de segurança, colocando em risco o patrimônio destinado ao pagamento de 235 mil aposentados e pensionistas.
Cláudio Castro é investigado na operação ‘Compliance Zero’
Diferente da “Barco de Papel” a operação desta terça acontece o âmbito de outra investigação federal: a “Compliance Zero”, mesma ação que prendeu Daniel Vorcaro em março. Vorcaro era dono do Banco Master, instituição financeira liquidada pelo Banco Central por conta de indícios de fraude e outras irregulares
Além da casa do ex-governador, na Barra da Tijuca, os policiais federais cumprem mandados de busca e apreensão em outros nove endereços no Rio e em Brasília. Os mandados foram expedidos pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
No último dia 15, Cláudio Castro já tinha alvo de busca e apreensão em outra ação da PF, sobre um suposto esquema de fraudes fiscais e ocultação de patrimônio envolvendo a refinaria Refit durante a gestão dele no governo do estado. O mandado anterior havia sido expedido por ordem do ministro Alexandre de Moraes.

