O polêmico desfile da Acadêmicos de Niterói na Sapucaí foi parar na pauta de investigações do Ministério Público do Rio (MPRJ). O órgão abriu um inquérito civil para investigar uma possível prática de discriminação religiosa contra evangélicos em uma das alas do desfile.
O trecho da apresentação analisado pelo órgão é o dos “neoconservadores em conserva”, que mostrava famílias “tradicionais” dentro de latas — em referência ao que a escola definiu como grupos que defendem pautas conservadora.
As representações recebidas pelo MPRJ acusam a Acadêmicos de Niterói de, através da fantasia, estigmatizar e simplificar, de forma depreciativa, uma identidade religiosa coletiva. A promotoria também alegou que a escola associou evangélicos a “defensores da ditadura militar” e que a apresentação associa o grupo a uma identidade “moralmente desqualificada”.
Outro ponto citado no despacho é o uso de verbas públicas na apresentação. O inquérito do MPRJ pretende avaliar se houve equilíbrio entre a liberdade de expressão artística e tolerância religiosa, que são princípios previstos na legislação para garantir fomento a atividades culturais.
A mesma ala já tinha sido criticada em notas da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro e da seção fluminense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ). A Acadêmicos de Niterói, que acabou rebaixada para a Série Ouro, desfilou um enredo que homenageava o presidente Lula (PT).

