O ditado popular “quem tem limite é município” ganhou uma interpretação literal — e de proporções milionárias — na gestão pública de Maricá. A prefeitura homologou esta semana o resultado de concorrência pública e autorizou o gasto de R$ 79.572.179,28 para a construção de oito pontos de controle, os populares pórticos, nas divisas da cidade.
O valor, que chama a atenção pela magnitude para esse tipo de mobiliário urbano, representa um custo médio estimado em R$ 9,9 milhões por cada portal de entrada e saída.
Estrutura de ‘primeiro mundo’ e orçamento irrigado pelo petróleo
De acordo com a publicação oficial assinada pelo diretor operacional de Obras Indiretas, Honorato Leite Fernandes Filho, o projeto não se resume a placas de boas-vindas. Sob o regime de contratação semi-integrada, o pacote de quase R$ 80 milhões inclui a elaboração do projeto executivo e engenharia; a construção de guaritas de segurança integradas para monitoramento; e de estruturas de apoio turístico.
Ainda assim, a cifra bilionária acende o debate sobre a priorização de gastos no município, amplamente conhecido por sua robusta arrecadação de royalties do petróleo. Enquanto cidades vizinhas do Leste Fluminense enfrentam gargalos históricos de saneamento e infraestrutura básica em suas fronteiras, Maricá aposta em um cartão de visitas com padrão de investimento internacional.
O vencedor da concorrência em Maricá
A bilionária fatia orçamentária ficou com o consórcio ONMIV, liderado pela empresa Onix Serviços Ltda e composto ainda pelas parceiras Midas Engenharia Ltda e Vento Sul Engenharia Ltda.
COM FÁBIO MARTINS


