A Prefeitura do Rio colocou na rua uma licitação de R$ 19.523.635,38 para conservação e manutenção de calçadas e calçadões em Copacabana e Leme. Até aqui, nada fora do roteiro da administração pública municipal. Mas, quando se abre a planilha orçamentária, um item salta aos olhos: do total, R$ 8.940.015,00 serão destinados exclusivamente à “execução de piso de mosaico de pedra resinada”.
Sim, mais de 45% de todo o contrato é concentrado num único tipo de piso e o edital prevê 28.100 m² do tal mosaico especial espalhado por Copacabana. Mas onde ficaria todo esse piso novo, num bairro já consolidado e praticamente todo revestido por pedra portuguesa tradicional?
E é justamente aí que o enredo começa a desandar.
Custos variam conforme composições padrões
O mesmo edital que prevê esse “mosaico resinado” é baseado no Sistema de Custos Oficial e obrigatório da prefeitura, o SCO-RIO, que possui itens específicos, detalhados e historicamente consolidados para execução de pedra portuguesa em seus mais diversos padrões e desenhos.
Os custos unitários do próprio catálogo oficial para execução de pedras portuguesas variam, conforme as composições padrões, de cerca de R$ 172,59/m² para os pisos simples, passando por R$ 195,91/m² em composições com variações de desenho, até aproximadamente R$ 212,00/m² para padrões mais elaborados com mistura de cores.
Ou seja, mesmo nos cenários mais sofisticados, o custo gira na casa de R$ 170 a R$ 210 por metro quadrado dentro do sistema oficial da própria Prefeitura do Rio.
Mas o tal mosaico misterioso da Secretaria Municipal de Conservação não segue essa lógica, e aparece na planilha como um “item especial” — leia-se fora do catálogo padrão — com custo de R$ 318,15/m². Um salto relevante de 50% frente aos valores tradicionais dos pisos de pedra portuguesa.
Escopo prevê a manutenção do padrão original
Para completar, o próprio projeto descreve a recomposição de pisos em pedra portuguesa com técnicas tradicionais ou seja, limpeza, reaproveitamento de pedras, rejuntamento, assentamento manual, manutenção do desenho existente. O escopo técnico reforça, portanto, a lógica de restauro e manutenção do padrão original, não a substituição massiva por um novo mosaico.
Daí a curiosidade: se o próprio SCO-RIO já contempla diversas soluções de pedra portuguesa, inclusive com desenhos artísticos, como o padrão histórico de Copacabana, esse tal mosaico seria em pedra portuguesa?
Se for, por que a necessidade de criar um item especial, fora dos padrões usuais praticados pela Prefeitura do Rio e 50% mais caro, e concentrar nele quase metade de um contrato de quase R$ 20 milhões?
Se não for em pedra portuguesa, que mosaico misterioso de 28 mil metros quadrados é esse que será instalado em Copacabana?
O que diz a Secretaria Municipal de Conservação
Em nota enviada ao Tempo Real, a Seconserva informa que: “A Prefeitura do Rio vai implantar o programa Calçada Lisa, em Copacabana e Leme, para recuperar e revitalizar as calçadas da região numa área extensa feitas de pedras portuguesas. A Secretaria de Conservação e Serviços Públicos utilizará novas técnicas para maior manter o mosaico íntegro e unido por mais tempo. Apesar de ser um valor maior do que o serviço tradicional, a técnica permite recuperar o mosaico, nivelar e aglutinar as pedras por meio de resina transparente que garante maior durabilidade e segurança aos pedestres. A técnica é inspirada em serviços realizados com excelência em Portugal e já é utilizada na rua Farme de Amoedo e em calçadas de bares, em Ipanema.”
COM FÁBIO MARTINS


Voces adoram liciitaçoes para encher o bolso.Respeite as pessoas!.Copacabana com pedras portuguesa um crime trocar essas pedras.Pena que tem gente que vota em voces.Sem solução!O paiís entra um sai outro e continua a mesma M. O Rio de janeiro,arrasado,mal cuidado,nem podemos andar na rua. Somos sufocados pela violência.. O Rio de janeiro é o esgoto do país e ninguem faz nada pra melhorar só querem enriquecer. Percebo que ser político é arrancar a alma do corpo e seguir em frente.Acho que poucos ainda preservam alma. Serâ?
Tem toda razão . En geral , mss não generalizado , o carioca se identifica com a malandragem , elegendo políticos corruptos .
Esta corrupção do carioca pode ser notada no trânsito, ruas sujas , praças quebradas constantemente, esse comportamento não é só culpa do poder público é a falta de ética da população que se espelha na política .